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jan 17

HiRISE revela contornos pseudo-geométricos em alto-relevo na paisagem marciana

Em 13 de janeiro de 2010 o time do programa HiRISE da Universidade do Arizona liberou intrigantes novas imagens de Marte. Alfred McEwan, membro do time do programa HiRISE, Universidade do Arizona, comentou as descobertas.

1) Relevos intrigantes na bacia de Hellas

IMAGEM 1: (ESP_016022_1420) interessantes contornos em alto-relevo na bacia de Hellas em Marte. Crédito: NASA / JPL / Universidade do Arizona / HiRISE

IMAGEM 1: (ESP_016022_1420) interessantes contornos em alto-relevo na bacia de Hellas em Marte. Crédito: NASA / JPL / Universidade do Arizona / HiRISE

O piso da bacia de Hellas em Marte é muitas vezes obscurecido pela névoa atmosférica e a poeira, mas tende a ser bastante claro nesta época do ano, quanto ocorre a primavera no norte e outono no sul do planeta vermelho.

Na imagem acima HiRISE nos apresenta relevos intrigantes no chão da bacia de Hellas, em formatos muito estranhos. Aqui, explicou McEwan, os materiais parecem ter corrido de maneira viscosa, como o gelo, na superfície da bacia de Hellas. As características de fluxo viscoso são mais comuns nas latitudes médias de Marte, mas os da bacia de Hellas são especialmente únicos, por razões desconhecidas.

Esta sub-imagem mostra uma área interessante colorida (as áreas avermelhadas têm mais poeira).

2) A simetria das dunas

IMAGEM 2: (ESP_016036_1370) a simetria das dunas marcianas. Crédito: NASA / JPL / Universidade do Arizona / HiRISE

IMAGEM 2: (ESP_016036_1370) a simetria das dunas marcianas. Crédito: NASA / JPL / Universidade do Arizona / HiRISE

Dunas de areia ficam represadas no fundo de muitas crateras marcianas. Este é um exemplo de uma cratera em Noachis Terra, a oeste da bacia de impacto gigante chamada Hellas.

McEwan disse que as dunas aqui são lineares, provavelmente criadas devido a alguma mudança na direção do vento. Em alguns lugares, cada duna é muito semelhante às dunas adjacentes, incluindo uma banda avermelhada (colorida pela poeira) nas encostas voltadas para o nordeste.

Os campos de dunas em Marte são similares aos que se vê em Titã, embora não sejam tão grandes. Grandes pedregulhos angulosos marcam o chão entre as dunas, nesta belíssima imagem.

3) Depósitos brilhantes trazem evidências da existência de água ácida

IMAGEM 3: (PSP_003579) variações cromáticas em depósitos brilhantes em um platô próximo ao Juventae Chasma na região de Valles Marineris. Crédito: NASA/JPL/Universidade do Arizona/HiRISE

IMAGEM 3: (PSP_003579) variações cromáticas em depósitos brilhantes em um platô próximo ao Juventae Chasma na região de Valles Marineris. Crédito: NASA/JPL/Universidade do Arizona/HiRISE

Esta intrincada visão mostra variações cromáticas de depósitos de camadas brilhantes em um platô perto de Juventae Chasma em Valles Marineris.

Um manto marrom cobre partes dos depósitos brilhantes. Esta impressionante imagem cobre uma área de 1,2 quilômetros de diâmetro. Os pesquisadores encontraram nestes depósitos brilhantes a evidência da presença de silicatos de opalina e sulfatos de ferro, consistentes com a baixa temperatura e a atuação de água ácida em materiais basálticos.

Os cientistas concluíram que esta atividade aquosa afetou este platô após a formação dos cânions vizinhos. Embora a fonte da água e dos sedimentos desta região permaneçam um mistério, a forte correlação entre o solo fluvial e os depósitos das camadas brilhantes nesta região apontam para a ocorrência de precipitações consistentes, forte erosão e formação de depósitos fluviais durante a Era Hesperiana de Marte ( entre 3,5 e 1,8 bilhões de anos atrás) neste platô que fica adjacente a Valles Marineris.

Outras imagens desta observação podem ser consultadas aqui: http://hirise.lpl.arizona.edu/PSP_003579_1755.

4) Dunas cobertas de gelo

IMAGEM 4: (ESP_016087_2595) Dunas cobertas de gelo dentro de uma cratera em Marte. Crédito: NASA/JPL/Universidade do Arizona/HiRISE

IMAGEM 4: (ESP_016087_2595) Dunas cobertas de gelo dentro de uma cratera em Marte. Crédito: NASA/JPL/Universidade do Arizona/HiRISE

Esta bela foto mostra dunas cobertas de gelo dentro de uma cratera marciana.

Candy Hansen da HiRISE disse que onde não há dunas, o gelo de forma em camadas ininterruptas. Sobre as dunas, entretanto, riscos escuros se formam quando o material da superfície sob o gelo se movimenta e se deposita sobre o gelo. Em alguns casos este material móvel provavelmente desliza abaixo nas faces das dunas, enquanto em outros casos o material pode ser ejetado em um processo de liberação gasosa similar ao que ocorre quando se remove uma rolha de uma garrafa de champanhe.

5) Cratera de impacto recente? ou não?

IMAGEM 5: (ESP_015962_1695) uma cratera de impacto recente, não detectada pela Viking em 1976? ou não? Crédito: NASA/JPL/Universidade do Arizona/HiRISE

IMAGEM 5: (ESP_015962_1695) uma cratera de impacto recente, não detectada pela Viking em 1976? ou não? Crédito: NASA/JPL/Universidade do Arizona/HiRISE

A cratera de impacto acima provavelmente é bem recente, uma vez que ela não aparece em imagens prévias tiradas pela Viking em 1976. Por outro lado, uma outra explicação é que quando a Viking fotografou a região, a área da cratera poderia estar coberta por uma tempestade de areia, obscurecendo a cratera. McEwan disse que o time da HiRISE suspeita que a cratera é mais antiga pois em alta resolução aparecem características que não vemos em crateras jovens.

Imagem em alta resolução da cratera mostra texturas não encontradas em crateras recentes. Crédito: NASA/JPL/University of Arizona/HiRISE

Imagem em alta resolução da cratera mostra texturas não encontradas em crateras recentes. Crédito: NASA/JPL/University of Arizona/HiRISE

Fontes

Universe Today: Stunning New Views From HiRISE; Plus Big Announcement? por Nancy Atkinson

Mars Reconnaissance Orbiter: Martian Landform Observations Fill Special Journal Issue

HiRISE: Martian Landform Observations Fill Special Issue of “Icarus”

._._.

1 menção

  1. 10 de março de 2006 – Mars Reconnaissance Orbiter em Órbita de Marte » O Universo - Eternos Aprendizes

    […] voltou – e ganhou asas -, não criando canais, mas recriando processos tectônicos, mostrando contornos semi-geométricos, figuras fractais e reconstruindo a história de um planeta onde a vida, parece, “bateu na […]

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