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dez 31

VISTA: telescópio pioneiro de rastreamento mostra os primeiros resultados

Um novo telescópio – VISTA (Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy) — operado pelo Observatório Paranal do ESO divulgou suas primeiras imagens.

Nebulosa da Flama

Nebulosa da Chama (Flame Nebula)

O VISTA é um telescópio de rastreamento que opera nas frequências do espectro do infravermelho e atualmente é o maior telescópio existente dedicado ao mapeamento celeste. Seu enorme espelho, grande campo de visão e detectores extremamente sensíveis irão nos proporcionar uma visão completamente nova do céu do hemisfério sul. As imagens espectaculares agora divulgadas da Nebulosa da Chama, do Centro da nossa Via Láctea e do aglomerado de galáxias Fornax mostram que o telescópio se encontra em perfeito funcionamento.

Telescópio de varredura VISTA. Crédito: ESO/Y. Beletsky

Telescópio de varredura VISTA. Crédito: ESO/Y. Beletsky

O VISTA é o telescópio mais novo do ESO (European Southern Observatory) e foi instalado no Observatório do Monte Paranal do ESO, no deserto de Atacama, norte do Chile. O VISTA está localizado no pico adjacente ao que hospeda o Very Large Telescope do ESO (VLT). Assim, o VISTA compartilha as mesmas condições excepcionais de observação do deserto de Atacama no Chile, o lugar mais seco da Terra. O espelho principal do VISTA tem um diâmetro de 4,1 metros e é o espelho mais curvo deste tamanho e qualidade já produzido – os desvios em relação a uma superfície perfeita são menores do que a milésima parte da espessura de um cabelo humano. Sua construção e polimento constituíram um enorme desafio para o ESO.

O VISTA foi concebido e desenvolvido por um consórcio de 18 universidades no Reino Unido [1] liderado pelo Queen Mary, Universidade de Londres e tornou-se numa espécie de contribuição para o ESO como parte do acordo de adesão do Reino Unido a esta Organização. A concepção e construção do telescópio foram dirigidas pelo Science and Technology Facilities Council’s UK Astronomy Technology Centre (STFC, UK ATC). A aceitação do VISTA pelo ESO foi formalmente celebrada em recente cerimônia realizada na sede do ESO, em Garching, Alemanha, no dia 10 de Dezembro de 2009, onde estiveram presentes representantes do Queen Mary, Universidade de Londres e do STFC. A partir de agora este telescópio será operado pelo ESO. “O VISTA é uma excelente aquisição para o Observatório do Cerro Paranal do ESO. O VISTA desempenhará um papel inédito no rastreamento do céu meridional, no espectro infravermelho, e encontrará muitos alvos interessantes que poderão ser posteriormente estudados com o Very Large Telescope, o ALMA e o futuro European Extremely Large Telescope”, disse Tim de Zeeuw, diretor geral do ESO.

Câmara de 67 megapixels congelada a -200°C

No núcleo central do telescópio VISTA encontramos uma câmara de 3 toneladas que contém 16 detectores especiais sensíveis à radiação infravermelha, formando um total combinado de 67 milhões de pixels. Observar em comprimentos de onda maiores dos que os visíveis ao olho humano, permite ao VISTA estudar objetos que de outro modo seriam impossíveis de ser observados porque são muito frios, obscurecidos por nuvens de poeira cósmica ou estão tão longe de nós que a radiação emitida foi desviada para além do espectro visível, em consequência da expansão do Universo.

Para se conseguir detectar a fraca radiação infravermelha que vem do espaço, a câmara do VISTA teve que ser congelada a -200º Celsius (73° K) e está selada com a maior janela transparente ao infravermelho jamais construída. A câmara VISTA foi concebida e construída pelo consórcio composto do Rutherford Appleton Laboratory, o UK ATC e a Universidade de Durham, Inglaterra.

Uma vez que o VISTA é um grande telescópio com um amplo campo de visão, ele tem a capacidade de, simultaneamente, detectar fontes fracas e cobrir grandes regiões do céu rapidamente. Cada imagem do VISTA captura uma parte do céu correspondente a cerca de dez vezes a área da Lua Cheia e será capaz de detectar e catalogar objetos em todo o céu do hemisfério sul com uma precisão quarenta vezes melhor do que a conseguida em outras pesquisas do céu já realizadas no infravermelho, como o muito bem sucedido Two Micron All-Sky Survey (2MASS). Este salto no poder de observação (comparável ao salto em resolução do olho nu para o primeiro telescópio de Galileu) revelará enormes quantidades de novos objetos e permitirá a criação de inventários muito mais completos de objetos raros e exóticos do céu meridional. “Estamos muito contentes por termos podido oferecer à comunidade astronômica o telescópio VISTA. A qualidade excepcional dos dados científicos é um tributo a todos os cientistas e engenheiros que estiveram envolvidos neste projecto excitante e cheio de desafios”, acrescentou Ian Robson, Director do UK ATC.

Nebulosa da Flama segundo a lente do telescópio VISTA do ESO

Nebulosa da Chama sob as lentes do telescópio VISTA do ESO

Nebulosa da Chama

A primeira imagem divulgada mostra a Nebulosa da Chama (Flame Nebula – NGC 2024), uma espectacular nuvem de gás e poeira onde se estão a formar estrelas, na familiar constelação de Orion e seus arredores. Na radiação visível o núcleo deste objeto encontra-se escondido por trás de espessas nuvens de poeira, mas a imagem VISTA, obtida no infravermelho, consegue penetrar na escuridão e revelar o enxame de estrelas quentes jovens que se encontra no seu interior.

Mosaico de imagens do VISTA mostra a nebulasa da Flama (NGC 2024), o objeto Herbig Haro HH92, a nebulosa NGC 2023 e o objeto Barnard 33 - a nebulosa cabeça de cavalo. Crédito: ESO/J. Emerson/VISTA. Reconhecimento: Cambridge Astronomical Survey Unit

Mosaico de imagens do VISTA mostra o núcleo da nebulosa da Flama (NGC 2024), o objeto Herbig Haro HH92, a nebulosa NGC 2023 e o objeto Barnard 33 – a Nebulosa Cabeça de Cavalo. Crédito: ESO/J. Emerson/VISTA. Reconhecimento: Cambridge Astronomical Survey Unit

O grande campo de visão da câmara VISTA consegue capturar simultaneamente o brilho da nebulosa NGC 2023 e a forma fantasmagórica da famosa Nebulosa da Cabeça de Cavalo.

Um milhão de estrelas no coração da Via Láctea

Um milhão de estrelas no coração da Via Láctea

O coração da Via Láctea

A segunda imagem é um mosaico de duas imagens tomadas pelo VISTA do centro da nossa Via Láctea, na constelação do Sagitário. A imagem revela um enorme número de estrelas – esta simples imagem mostra cerca de um milhão de estrelas – sendo que a maioria está normalmente escondida por trás de espessas nuvens de poeira, tornando-se apenas visível nos comprimentos de onda do infravermelho.

Aglomerado galáctico de Fornax

Aglomerado galáctico de Fornax

O aglomerado da Fornalha

Na imagem final, o VISTA observou muito para lá da nossa Galáxia e tirou um retrato de família de um aglomerado de galáxias na constelação de Fornax (a Fornalha). O grande campo permite que um enorme número de galáxias seja capturado em uma única imagem, contendo interessantes galáxias: a espiral barrada NGC 1365 e a gigante elíptica NGC 1399.

Planos para os próximos anos

O VISTA passará a maior parte do seu tempo realizando o mapeamento do céu meridional de uma maneira sistemática. O telescópio está iniciando agora seis varridas principais do céu, cada qual com objectivos científicos diferentes a serem executados nos primeiros cinco anos. Uma das pesquisas de varredura cobrirá todo o céu austral enquanto as demais se concentrarão em regiões menores, a serem vasculhadas em maior detalhe. As varreduras do céu a partir do VISTA irão nos ajudar a compreender a natureza, distribuição e origem das estrelas e galáxias, mapearão a estrutura em três dimensões da Via Láctea e das galáxias vizinhas (Pequena e Grande Nuvem de Magalhães) e ajudarão a determinar a relação entre a estrutura do Universo e as misteriosas energia e matéria escura.

300 gigabytes de dados por noite – mais de 100 terabytes por ano de informação

O enorme volume de dados – tipicamente 300 gigabytes por noite ou seja, mais de 100 terabytes por ano – será armazenado no arquivo digital do ESO e será processado em imagens e catálogos nos centros de processamento de dados do Reino Unido, nas Universidades de Cambridge e Edinburgh. Todos os dados serão públicos e estarão disponíveis aos astrônomos do mundo inteiro.

Jim Emerson do Queen Mary, da Universidade de Londres e líder do consórcio VISTA, espera com impaciência uma rica colheita científica do novo telescópio: ”A História mostrou-nos que alguns dos resultados mais excitantes que saíram de projetos como o VISTA são os que menos esperamos – e eu estou pessoalmente muito entusiasmado em ver o que sairá daqui!”

Nota [1] O Consórcio VISTA é liderado pelo Queen Mary, Universidade de Londres e é composto por: Queen Mary, Universidade de Londres; Queen’s University of Belfast; Universidade de Birmingham; Universidade de Cambridge; Universidade Cardiff; Universidade de Central Lancashire; Universidade de Durham; A Universidade de Edinburgh; Universidade de Hertfordshire; Universidade Keele; Universidade Leicester; Universidade Liverpool John Moores; Universidade de Nottingham; Universidade de Oxford; Universidade de St Andrews; Universidade de Southampton; Universidade de Sussex e Universidade College London.

Fonte

ESO: VISTA: Pioneering New Survey Telescope Starts Work

2 comentários

4 menções

  1. Mirian Martin

    Fantástico! e fenomenais as imagens!

    1. ROCA

      Mais um poderoso telescópio do ESO (Observatório Europeu do Hemisfério Sul) no deserto do Atacama, Chile, o lugar mais seco da Terra e também o melhor local para a observar o céu a partir da superfície do nosso planeta. Melhor que em Monte Paranal, só mesmo no espaço…

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