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dez 09

Novo Hubble revela a imagem mais profunda do Universo

Esta imagem de campo profundo foi capturada pela nova WFC3/IR câmera instalada no Hubble em agosto de 2009 durante uma exposição de 4 dias por 173.000 segundos. Os objetos mais tênues tem cerca de 1 bilionésimo do brilho que pode ser visto a olho-nu.

Esta imagem de campo profundo foi capturada pela nova WFC3/IR câmera instalada no Hubble em agosto de 2009 durante uma exposição de 4 dias por 173.000 segundos. Os objetos mais tênues têm cerca de 1 bilionésimo do brilho que pode ser visto a olho-nu. A luz das galáxias observadas levou em torno de 13 bilhões de anos para chegar até nós. Crédito: Hubble/ESA/NASA

Quando as galáxias se formaram? A para ajudar nesta questão é que o reformado Hubble Space Telescope capturou com a sua nova Wide Field Camera 3 a mais profunda imagem nas freqüências próximas do infravermelho da fatia do céu com o mesmo campo de visão que a imagem na luz visível de campo profundo de 2004: Hubble Ultra Deep Field (HUDF).

HUDF09 com anotações e orientação

HUDF09 com anotações e orientação

As galáxias mais tênues e avermelhadas que aparecem na imagem acima ultrapassam o índice de distância de z=8 (grau de desvio para o vermelho). Estas primitivas galáxias existiam quando o Universo tinha em torno de 5% da sua idade atual, e devem ser membros da primeira classe de galáxias, tendo se formado 600 a 900 milhões de anos após o Big Bang, ou seja, a luz das galáxias mais distantes levou ≈13,1 bilhões de anos para chegar até nós. Algumas galáxias mais próximas e modernas aparecem coloridas nesta imagem HUDF09, à frente das avermelhadas galáxias primitivas.

Em 2004, o time do Hubble criou o Hubble Ultra Deep Field (HUDF), a imagem mais profunda através da luz visível do Universo e agora com sua nova câmera o observatório espacial Hubble está conseguindo enxergar mais longe.

O desvio para o vermelho e o desvio para o azul

O desvio para o vermelho e o desvio para o azul

A imagem liberada foi obtida na mesma região da HUDF de 2004, mas desta vez o equipamento captou a luz em comprimentos de onda mais longos, próximos do infravermelho.

Os ‘olhos profundos’ do novo Hubble…

A nova câmera Wide Field Camera 3 (WFC3) coleta a luz quase-infravermelha e assim consegue vislumbrar objetos do Universo primordial com maior clareza porque a luz das estrelas jovens das galáxias longínquas está alongada pelo efeito Doppler por causa do afastamento das galáxias em altas velocidades.

Assim, a expansão do Universo modifica as freqüências do espectro destes objetos desviando-as para o vermelho.

Esta nova visão também fornece um vislumbre de como as galáxias cresceram nos primórdios da história do Universo. As análises feitas pelo time da HUDF09 indicam que algumas destas galáxias primitivas apresentavam pouca quantidade de poeira interestelar. Esta classe primordial de galáxias menos luminosas possivelmente contém estrelas energéticas emitindo a radiação que transformou grande parte matéria convencional do Universo primordial de gás gelado para plasma ionizado aquecido durante a era da reionização.

A imagem foi produzida pelo time do Hubble HUDF09 e foi divulgada para ser explorada pelos astrônomos de todo o mundo. A foto foi gerada em agosto de 2009 a partir de uma exposição de 173.000 segundos ao longo de 4 dias.

A imagem foi colorizada artificialmente para compensar o desvio para o vermelho. Os objetos mais tênues têm um bilionésimo do brilho dos objetos mais obscuros que o olho-nu consegue distinguir em uma noite escura.

Imagem mostra no céu onde foi capturada a observação de campo profundo.

Imagem mostra no céu onde foi capturadas as observações de campo profundo (HUDF em 2004 e 2009).

O desvio para o vermelho das linhas do espectro luminoso de um aglomerado de galáxias distantes (à direita), comparado com o espectro do Sol (à esquerda).

O desvio para o vermelho das linhas do espectro luminoso de um aglomerado de galáxias distantes (à direita), comparado com o espectro do Sol (à esquerda).

Fontes e referências

Hubblesite: Hubble’s Deepest View of Universe Unveils Never-Before-Seen Galaxies

Space.com: Hubble Telescope Spots Most Distant Galaxies por Andrea Thompson

Science Daily: Just After the Big Bang: Hubble’s Deepest View of Universe Unveils Never-Before-Seen Galaxies

A visão de campo ultra profundo do Hubble em 3D

APOD: HUDF Infrared: Dawn of the Galaxies – Crédito: NASA, ESA, G. Illingworth (UCO/Lick & UCSC), R. Bouwens (UCO/Lick & Leiden U.), & the HUDF09 Team

4 comentários

2 menções

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  1. Walter

    Obrigado…
    A chave são as “faixas vazias” deslocadas. A figura mostra isso claramente, e eu até suspeitava disso, mas em se tratando de ciência, suspeitas não suficientes, melhor ter certeza…

    1. ROCA

      Walter,
      Perfeito. É sempre bom esclarecer as dúvidas e nós ficamos felizes em ajudar.

  2. Walter

    Na verdade não é um comentário, mas uma dúvida. Como os cientistas sabem se uma onda que chega a terra com um certo comprimento foi emitida nesse mesmo comprimento por uma fonte parada em relação a Terra ou se fou emitida em ontro comprimento de onda, mas o movimento relativo da fonte alterou o comprimento da onda (redshift)? Alguem me ajuda.

    1. ROCA

      Walter,
      Analisando o espectro da radiação/luz do objeto observado (estrela, quasar, galáxia, aglomerados estelares, aglomerados de galáxias, etc…) dá para saber quanto foi desviado pelo efeito Doppler, se o objeto está se aproximando (desvio para o azul) ou está se afastando (desvio para o vermelho). Os cientistas comparam o espectro do objeto com o de um objeto bem conhecido, como o Sol, por exemplo. A figura abaixo ilustra bem isso onde comparou-se o espectro de um aglomerado com o do Sol. Note que existem faixas vazias que se repetem nos espectros. Elas são a assinaturas da presença de elementos químicos como Hidrogênio, Hélio, Carbono, Oxigênio, etc… Estas faixas são facilmente identificáveis.
      http://eternosaprendizes.com/wp-content/uploads/2009/12/Redshift.png

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