
Esta visão detalhada de todo o céu mostra o jovem Universo a partir de 5 anos de pesquisa via WMAP. A imagem revela flutuações em torno da temperatura média do Universo de 2,725 +/- 0,0002 Kelvin (aparece nas diferenças de cor) que correspondem às sementes que cresceram para se tornarem nas galáxias. O ruído causado pela Via Láctea foi subtraído dessa imagem usando dados de várias freqüências. A imagem mostra um intervalo de temperatura de +/- 200 microKelvin (0,0002 graus K), as regiões vermelhas são as áreas mais quentes no céu e as azuis mais frias. Crédito: NASA / time do WMAP
Há quanto tempo o Big Bang aconteceu? Qual é melhor estimativa da idade do Big Bang? A resposta mais apurada é:
13,73 bilhões de anos ± 120 milhões de anos
Esta foi a mais recente conclusão do time de astrônomos que trabalhou com os últimos dados da sonda WMAP.
É importante destacar que esta estimativa da idade do Big Bang fornecida pelo time do WMAP é totalmente independente de outras 3 estimativas conhecidas da idade do Universo, tais como:
- A idade dos elementos químicos
- A idade dos aglomerados estelares antigos
- A idade das anãs brancas mais antigas
Vejamos a seguir o que estes 3 métodos independentes calcularam…
1. A idade dos elementos (decaimento radioativo):

A análise da linha espectral do Urânio da estrela antiga CS 31082-001 foi usada na estimativa de sua idade.
Usa-se o decaimento radioativo para determinar qual a idade de uma dada mistura de átomos.
Assim, por exemplo, um par de isótopos que tem sido usado é Rênio e Ósmio. Re187 decai transformando-se em Os187 com uma meia-vida de 40 bilhões de anos. Analisando esse par de isótopos apura-se que a idade do Universo está entre 11,6 e 17,5 bilhões de anos.
Outros elementos usados para esta estimativa são o Urânio238 e o Tório232 que tem meia-vida de 4,468 e 14,05 bilhões de anos. Análises e comparações entre esses dois elementos levam a idade do Universo a 14,5 +2,8 -2,2 bilhões de anos, segundo Dauphas (2005, Nature, 435, 1203).
Aplicação deste método para apuração da idade em estrelas antigas
Cowan et al., em 1999 apuraram a idade de 15,6 ± 4,6 bilhões de anos para duas estrelas: CS 22892-052 e HD 115444.

A estrela anciã CS 31082-001 é um dos marcos para se estabelecer a idade do Universo
Outra estrela, a CS 31082-001, mostra uma idade de 12,5 ± 3 bilhões de anos baseada no decaimento do Urânio238 [Cayrel et al. 2001, Nature, 409, 691-692]. Mais tarde, Wanajo et al. refinou o cálculo pelo método do decaimento do Urânio/Tório obtendo 14,1 ± 2,5 bilhões de anos para a idade desta antiga estrela.
2. Idade dos aglomerados estelares antigos:
Quando as estrelas realizam a nucleossíntese transformando hidrogênio em hélio em seus núcleos, elas se enquadram dentro de uma curva simples dentro do diagrama H-R (criado por Hertzsprung e Russell). Esta trilha é conhecida como a ‘seqüência principal’, uma vez que a maioria das estrelas do Universo se encontra nesta fase de seu ciclo de vida. Uma vez que a luminosidade (L) varia proporcionalmente a uma potência de sua massa, entre M3 e M4, o tempo (T) de vida da estrela na seqüência principal pode ser calculado pela fórmula T=k/L0,7 onde k é uma constante (T proporcional ao inverso de L^0,7).
Assim, se você medir a luminosidade da estrela mais brilhante na seqüência principal você conseguirá definir a idade limite superior do aglomerado estelar:
Idade < k/Lmax0,7
Assim, estatisticamente, para aglomerados estelares com milhares de membros essa fórmula se aplica sem distorções e a idade do aglomerado é praticamente igual a k/Lmax0,7
Usando esse método nos aglomerados globulares Chaboyer, Demarque, Kernan e Krauss (1996, Science, 271, 957) calcularam em 12,07 bilhões de anos (com 95% de certeza) a idade mínima do Universo. Gratton et al. calcularam idades entre 8,5 e 13,3 bilhões de anos sendo 12,1 o valor mais provável. Reid estimou a idade entre 11 e 13 bilhões de anos e Chaboyer et al. estabeleceram 11,5 ± 1,3 bilhões de anos para a idade média do mais velho dos aglomerados globulares mais antigos.
3. Idade das anãs brancas mais antigas:

O estudo das anãs brancas do aglomerado globular M4 permitiu o cálculo da estimativa da idade do Universo
Uma anã-branca é um objeto com a massa equivalente ao nosso Sol e raio da ordem de grandeza da Terra. A densidade de uma anã-branca é um milhão de vezes maior que a da água. As anãs-brancas brilham como resultado do seu calor residual. As anãs-brancas mais antigas são mais frias e menos brilhantes. Pesquisando e medindo a idade das anãs-brancas no aglomerado globular M4, Em 2004, Hans et al. apuraram a idade de 12,1 ± 0,9 bilhões de anos para a M4 e conseqüentemente, considerando o tempo entre o Big Bang e a formação da M4, estimaram a idade do Universo em 12,8 ± 1,1 bilhões de anos.
Como a idade do Universo pode ser medida via radiação cósmica de microondas de fundo?
O fato notável é que as 3 maneiras descritas acima de se medir a idade do Universo junto com a estimativa do time do WMAP são plenamente consistentes!
Como é que conseguimos medir a idade do Big Bang simplesmente observando a radiação cósmica de microondas de fundo (CMB – Cosmic Micro Wave Background Radiation)? Vejamos a resposta a seguir:
A radiação de microondas cósmica parece vir uniformemente de todas as direções (é claro que existem vários tipos de fontes que emitem microondas: poeira cósmica aquecida, estrelas, galáxias e até mesmo elétrons livres espiralando em nas linhas dos campos magnéticos – mas estes tem características distintas, então estas podem ser subtraídas da equação). Essas microondas foram originadas nos elétrons que rechearam o Universo há muito tempo, logo antes de terem se combinado com os prótons livres para formar os átomos neutros de hidrogênio. Naquela ocasião a matéria comum do Universo é composta apenas de gás (plasma, na realidade), com uma temperatura praticamente uniforme em todos os lugares (havia um equilibro térmico), e emitia a radiação de corpo-negro.
Assim que o plasma tornou-se um gás neutro, a radiação térmica ficou livre para fluir pelo cosmos quando o Universo tinha cerca de 380.000 anos de idade e uma pequena parte desta radiação ainda pode ser observada hoje, através de instrumentos exóticos sensíveis tais como a sonda Wilkinson Microwave Anisotropy Project (WMAP) e a sonda criogênica PLANCK. Nós detectamos essa radiação na faixa do espectro das microondas por causa do efeito Doppler, desviando a freqüência para o vermelho, causado pela expansão do Universo.
A radiação cósmica de microondas de fundo (CMB) é a mais perfeita radiação de corpo negro conhecida, mas não se trata de um corpo-negro perfeito! A CMB tem um pólo quente e um mais frio, devido ao movimento de nosso sistema solar + a galáxia. Ela também apresenta flutuações da ordem de 1 até 10 µK (sim, µK quer dizer micro-Kelvin, um milionésimo de um grau de temperatura), o que parece ruído aleatório para nós (ruído branco). Mas a CMB não é aleatória, ao contrario, ela nos dá assinatura dos processos físicos primordiais, a maior parte original do tempo onde os fótons tornaram-se livres para fluir (alguns são devido aos efeitos da massa e energia ao longo do caminho entre o plasma primordial e nós). Por exemplo: o som, com em qualquer gás o som pode viajar através do plasma universal e os fótons da CMB podem reter informações sobre os últimos sons daquela época.

Os dados da WMAP revelam que o seu conteúdo inclui 4,6% de átomos, a matéria bariônica (convencional) da qual são feitas as estrelas e os planetas. A matéria escura compreende 23% do Universo (gráfico superior). A WMAP revelou uma diferente composição do Universo primordial, com a presença massiva dos neutrinos cósmicos, 10%, quando o Universo tinha 380.000 anos de idade (gráfico inferior). A matéria escura, diferente dos átomos, não emite nem absorve luz (não inteage com as radiações eletromagnéticas). A matéria escura apenas detectada indiretamente devido à interação gravitacional com a matéria convencional. 72% do Universo é composto por "energia escura", que atua como uma espécie de força repulsiva, 'anti-gravidade'. Esta energia, diferente da matéria escura, é responsável pela aceleração da expansão do Universo. Os dados da WMAP são precisos até dois dígitos, por isso o total destes números não dá exatamente 100%. Isto reflete os limites atuais da capacidade da WMAP de definir a matéria escura e a energia escura. Crédito: NASA/WMAP
Pela análise criteriosa das flutuações da CMB a densidade da matéria, junto com a energia escura, dos primórdios do Universo, pode ser enfim calculada, assim como a composição da matéria primordial (matéria comum, neutrinos e matéria escura). Colocando-se estas estimativas nas equações da Teoria da Relatividade Geral temos os resultados da dimensão da velocidade de expansão do Universo. Compare então tais resultados com a constante de Hubble que foi recentemente recalculada, que mede como o Universo se expande agora e temos a noção da idade do Big Bang. Esta página do WMAP e o artigo Five-Year Wilkinson Microwave Anisotropy Probe Observations: Cosmological Interpretation explicam o tema em mais detalhes.
Para saber mais sobre o Big Bang e as origens do Cosmos recomendamos fortemente a leitura do excelente artigo de Hubert Reeves:
Fontes e referências
Sobre os 3 métodos independentes de cálculo da idade do Universo
Age of the Universe por Edward L. Wright
Independent age estimates por Emad Iskander
Nature: The U/Th production ratio and the age of the Milky Way from meteorites and Galactic halo stars
ArXiv.org:
- R-Process Abundances and Chronometers in Metal-Poor Stars
- The r-process in the neutrino winds of core-collapse supernovae and U-Th cosmochronology
- A Lower Limit on the Age of the Universe
- HST Observations of the White Dwarf Cooling Sequence of M4
ESO: How Old is the Universe? First Reading of a Basic Cosmic Chronometer with UVES and the VLT
Science Daily: Hubble Uncovers Oldest “Clocks” In Space To Read Age Of Universe
Cosmologia – UFRGS: A idade do Universo
Sobre o WMAP e o Big Bang
Os Primeiros Momentos do nosso Universo
Universe Today:
- Big Bang Age por Jean Tate
- How Old is the Universe?
- Planck Starts Collecting Light Left Over From Big Bang
- Beginning of the Universe
Palestra astronômica: How Old is the Universe?
Curso de Cosmologia do Observatório Nacional
Eternos Aprendizes:
- 5 anos do WMAP revelaram três grandes segredos do Universo: os neutrinos primordiais, o fim da idade das trevas e a inflação cósmica
- Novo modelo cosmológico tenta dar novas pistas sobre o Big Bang e o Universo inflacionário
- Estudo independente confirma: o destino do Universo é controlado pela Energia Escura
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#1 by ROCA at 15 de fevereiro de 2010
Já tenho feito isto, sempre que possível, colocando links para esta série do History Channel nos meus posts.
Exemplos:
http://eternosaprendizes.com/2010/01/23/ted-patricia-burchat-esclarece-sobre-materia-escura-e-energia-escura/
http://eternosaprendizes.com/2009/02/11/2012-nao-havera-tempestade-solar-assassina/
http://eternosaprendizes.com/2009/01/11/a-face-oculta-da-lua-fotografada-pelos-astronautas-da-apollo-16/
http://eternosaprendizes.com/2009/10/05/a-lua-e-maior-quando-esta-proxima-do-horizonte/
http://eternosaprendizes.com/2009/09/06/a-furia-do-buraco-negro-revela-sua-galaxia-tao-distante/
http://eternosaprendizes.com/2009/08/28/qual-a-origem-dos-aneis-de-saturno/
#2 by Anderson at 15 de fevereiro de 2010
Sou fascinado pela astronomia e aprendi muito com este site.
Seria interessante colocar vídeos ou links do youtube aqui no site. tem muita coisa legal lá sobre astronomia.
EX: History Channel – O Universo: Galáxias Longínquas
History Channel – O Universo: Vida e Morte de uma Estrela
History Channel – O Universo: Vivendo no Espaço
History Channel – O Universo: Extra-Terrestre
History Channel – O Universo: Super Novas
History Channel – O Universo: Buracos Cósmicos
History Channel – O Universo: Planetas Externos
History Channel – O Universo: Vênus e Mercúrio
History Channel – O Universo: Rostos Alienígenas
History Channel – O Universo: Fenômenos Cósmicos