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set 15

Júpiter guardião ou inimigo? Cometa ficou retido em sua órbita por 12 anos e foi ejetado de volta ao espaço

Rota orbital do cometa Kushida-Muramatsu: A ilustração mostra o caminho do cometa Kushida-Muramatsu ao redor de Júpiter. Crédito: Ohtsuka/Asher

Rota orbital do cometa Kushida-Muramatsu: A ilustração mostra o caminho do cometa Kushida-Muramatsu ao redor de Júpiter. Crédito: Ohtsuka/Asher

Eventualmente um planeta gigante consegue capturar um cometa por algum tempo, como um satélite. Este foi o caso do cometa Kushida-Muramatsu que orbitou Júpiter entre 1949 e 1961 e a sua descoberta foi apresentada por David Asher em 14 de setembro de 2009 no congresso europeu de Ciência Planetária em Potsdam.

Cometas capturados ou luas temporárias?

Um time internacional de cientistas liderado pelo Dr Katsuhito Ohtsuka modelou as trajetórias de 18 cometas “quase-Hilda”, objetos com potencial para se transformar em satélites temporários capturados por Júpiter que em seqüência são libertados ou se juntam ao grupo “Hilda” de objetos do cinturão de asteróides. A maioria dos casos de captura temporárias foram de fly-bys (passagens próximas ao planeta) onde os cometas não chegaram a completar uma órbita completa em torno de Júpiter. Entretanto, o time liderado pelo Dr. Ohtsuka usou recentes observações do rastreamento do cometa Kushida-Muramatsu por 9 anos para estimar centenas de possíveis caminhos orbitais para este cometa no durante o século XX. Em todos os cenários simulados o cometa Kushida-Muramatsu completou duas voltas completas em torno de Júpiter.

Dr. Asher disse: “Nossos resultados demonstram que algumas das rotas seguidas pelos corpos cometários através do espaço interplanetário que permitem aos mesmos tanto entrar quanto escapar de situações de retenção temporária na órbita do planeta Júpiter”.

Asteróides e cometas podem ser fragmentados ou distorcidos pelos efeitos de maré induzidos pelos campos gravitacionais de o planeta que os capturou e até mesmo podem impactar o planeta. O cometa mais famoso que foi vítima de ambos esse efeitos foi o D1993 F2 (Shoemaker-Levy 9), que foi fragmentado ao passar próximo de Júpiter e posteriormente seus pedaços colidiram com o planeta gigante em 1994. Estudos computacionais anteriores mostraram que o comenta Shoemaker-Levy 9 deve ter sido um objeto ‘quase-Hilda’ antes da sua captura por Júpiter.

Guardião ou inimigo?

“Afortunadamente para nós, Júpiter, o planeta mais massivo e sua gravidade intensa atrai objetos em sua direção com maior eficiência que os demais planetas e assim nós esperamos presenciar os maiores impactos por lá com maior freqüência que na Terra. O cometa Kushida-Muramatsu escapou do planeta gigante e irá safar-se do destino que afetou o cometa Shoemaker-Levy 9, em futuro próximo”, disse Dr. Asher.

A mancha negra em Júpiter foi flagrada pela nova câmera WFPC3 do Hubble. Crédito: NASA/ESA/HST

A mancha negra em Júpiter foi flagrada em julho de 2009 pela nova câmera WFPC3 do Hubble. Crédito: NASA/ESA/HST

O objeto que impactou Júpiter em julho de 2009, causando uma mancha negra, descoberta pelo astrônomo amador australiano Anthony Wesley, talvez um objeto desta classe de cometas, mesmo não tendo sofrido fragmentação devido às forças de maré do planeta gigante, como o que ocorreu com o cometa Shoemaker-Levy-9 que se partiu em mais de 20 pedaços antes de cair sobre Júpiter em 1994.

“Nosso trabalho tornou-se um tema relevante novamente com a descoberta em julho de uma pluma ejetada, criadas pelos escombros do objeto ofensor, o que é uma assinatura evidente de um violento impacto. Os resultados de nosso estudo sugerem que os impactos em Júpiter e a captura temporária de satélites podem ocorrer em uma freqüência maior que anteriormente se supunha”, confirmou Dr. Asher.

O time também confirmou uma candidata a lua de Júpiter no futuro. O cometa 111P/Helin-Roman-Crocckett que já tinha orbitado Júpiter 3 vezes entre 1967 e 1985 irá orbitar 6 voltas em torno do planeta gigante entre 2068 e 2086.

Fontes e referências:

A Terra pode receber impacto similar ao de Júpiter?

Júpiter levou uma violenta pancada cósmica

Objeto 133P: cometa ou asteróide? Eis a questão

Vamos vigiar os asteróides e objetos perigosos?

Astronomy.com:  Jupiter captured comet for 12 years in mid-20th century. The capture duration of Kushida-Muramatsu, which orbited Jupiter between 1949 and 1961, is the third longest.

Science Daily:

  • Jupiter: Friend Or Foe? — The traditional belief that Jupiter acts as a celestial shield, deflecting asteroids and comets away from the inner Solar System, has been challenged by the first in a series of studies evaluating the impact risk to the Earth posed by different groups of object.

._._.

2 menções

  1. A Terra é Rara? Ou não? « Eternos Aprendizes

    […] A estrela hospedeira tenha pelo menos um planeta gigante com mais de 10 vezes a massa da Terra em uma órbita exterior atuando como escudo para capturar asteróides e cometas perigosos. […]

  2. Blog de Astronomia do astroPT » A Terra é Rara? Ou não?

    […] A estrela hospedeira tenha pelo menos um planeta gigante com mais de 10 vezes a massa da Terra em uma órbita exterior atuando como escudo para capturar asteróides e cometas perigosos. […]

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