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ago 09

HAT-P-7b: primeiro exoplaneta analisado pela missão Kepler!

WASP-12b é considerado o planeta mais quente já encontrado (Ilustração: ESA/C Carreau)

Ilustação mostra um exoplaneta tipo ‘Júpiter-quente’, similar ao HAT-P-7b analisado pela missão Kepler (Ilustração: ESA/C Carreau)

Pesquisadores da NASA publicaram a confirmação de que a missão Kepler será capaz de revelar a presença de exoplanetas do tamanho da Terra em torno de estrelas similares ao Sol. Os primeiros resultados científicos da missão da foram publicados na revista Science.

O líder da pesquisa William Borucki, do Ames Research Center da NASA, em Moffett Field, Califórnia, e seus colegas anunciaram que o Kepler analisou o planeta extrasolar gigante HAT-P-7b, um exoplaneta semelhante aos das duas dúzias de exoplanetas que haviam sido descobertos quando “transitaram” na frente de suas estrelas e foram detectados via observações terrestres e também pela missão CoRoT. Esta técnica de observação dos trânsitos planetários é baseada no princípio de que um planeta ao passar em frente de sua estrela, periodicamente provoca o obscurecimento da mesma.

Comparação entre a curva de luz da estrela HAT-P-7 tomada pelos telescópios terrestres (ground based) e a medida pelo Kepler que se apresenta bem mais suave. Crédito: NASA - missão Kepler

Comparação entre a curva de luz da estrela HAT-P-7 tomada pelos telescópios terrestres (ground based) e a medida pelo Kepler que se apresenta bem mais suave. Crédito: NASA – missão Kepler

Muitos outros exoplanetas conhecidos – mais de 300 até ao momento – foram detectados através do método da velocidade radial no qual se mede as oscilações, devido à interação gravitacional, que o exoplaneta provoca no movimento da sua estrela hospedeira.

O ‘Júpiter-quente’ HAT-P-7b

O exoplaneta HAT-P-7b é comparável em tamanho a Júpiter e orbita uma estrela semelhante ao Sol que fica a 1.000 anos-luz da Terra. Este exoplaneta orbita sua estrela em apenas 2,2 dias e está 26 vezes mais próximo da sua estrela hospedeira que a Terra em relação ao Sol. Dada essa proximidade de sua estrela, o HAT-P-7b está classificado como um ‘Júpiter-quente’ e apresenta temperaturas muito elevadas. Este exoplaneta foi observado pela missão Kepler durante 10 dias, captando os dados de intensidade da luz da estrela HAT-P-7. O telescópio Kepler monitorou também neste período mais de 50.000 estrelas.

“A detecção da ocultação sem necessidade correção dos erros sistemáticos demonstra que o Kepler já está operando no nível necessário para ser capaz de detectar exoplanetas do tamanho da Terra”, afirmam os autores.

Curvas de luz da estrela HAT-P-7 mostram a evidência trânsitos e ocultações, evidências da existência de um exoplaneta. Crédito: NASA - missão Kepler

Curvas ampliadas da luz da estrela HAT-P-7 mostram a evidência trânsitos e ocultações, evidências da existência de um exoplaneta. Crédito: NASA – missão Kepler

A missão Kepler tem seu custo estimado em 500 milhões de dólares, foi lançada em março de 2009 e irá passar três anos e meio pesquisando mais de 100.000 estrelas similares ao Sol, na região dos céus chamada de Cygnus-Lyra.

Calma por enquanto! Para descobrir planetas do tipo ‘Terra’ teremos que e aguardar pelo menos 1 ano…

Ao olhar para uma grande área do céu durante seu ciclo de vida, o Kepler será capaz de observar periodicamente o trânsito dos planetas a frente de duas estrelas durante vários ciclos sucessivos. Assim, será permitindo aos astrônomos confirmar a presença de exoplanetas que serão a seguir analisados por outros telescópios espaciais como o Hubble e o Spitzer, além dos telescópios terrestres, visando caracterizar suas atmosferas e órbitas. Para os planetas com tamanho similar ao da Terra situados em zonas de habitação (onde a água se mantém líquida, podendo formar oceanos) teremos que ter paciência e aguardar, pois estes provavelmente necessitarão de cerca de um ano para completar uma única órbita em torno de sua estrela hospedeira. Assim, Kepler acompanhará essas estrelas candidatas por pelo menos três anos para poder confirmar a presença de planetas.

Comparação entre a massa dos exoplanetas e suas distâncias em relação as suas estrelas. Ao centro, em verde, vemos a faixa com a zona habitável e a Terra. Crédito: NASA - missão Kepler

Comparação entre a massa dos exoplanetas e suas distâncias em relação as suas estrelas. Ao centro, em verde, vemos a faixa com a zona habitável e a Terra. Crédito: NASA – missão Kepler

Os astrônomos estimam que se apenas 1% das estrelas forem hospedeiras de planetas tipo Terra, haverá cerca de um milhão de ‘Terras’ a pesquisar, na nossa galáxia, a Via Láctea. Se isso for verdade, deverão ser descobertas centenas de Terras dentro da população-alvo das 100.000 estrelas que o Kepler irá monitorar ao longo de sua vida útil de 3 ½ anos.

Kepler é uma missão do programa NASA Discovery. AMES é o centro de pesquisa responsável pelo desenvolvimento dos sistemas da retaguarda da missão, sua operação e a pelas análises dos dados científicos coletados. O Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA em Pasadena, Califórnia, coordenou o desenvolvimento da missão Kepler. A Ball Aerospace and Technologies Corp. em Boulder, Colorado foi responsável pela construção do sistema de vôo e pelas operações de suporte a missão Kepler.


Fontes e referências:

Centauri Dreams: Sharp Early Returns from Kepler

Universe Today: Kepler Scores its First Exoplanet Sighting por Anne Minard

Phil Plait (Bad Astronomy Blog): Kepler works!

NASA.gov:

Science Magazine: Kepler’s Optical Phase Curve of the Exoplanet HAT-P-7b

._._.

3 menções

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