«

»

jun 01

Supernova incomum mostra massiva presença de Carbono

dn17035_1_300

Enquanto nós humanos continuamos a lutar contra o acúmulo indesejável de carbono na nossa atmosfera, vemos que o Universo tem mecanismos bem eficazes de se livrar desse elemento. Nova pesquisa dos astrofísicos da Universidade de Warwick tenta mostrar que a misteriosa explosão (supernova) registrada em 2006 marcou a morte incomum de uma estrela rica em carbono, também rara.

O objeto responsável pela explosão brilhante misteriosa era muito tênue e não havia sido detectado antes (à esquerda: observações de maio de 2006, à direita a supernova observada). Crédito: Barbary et al. (*)

SCP 06F6 foi um objeto astronômico de tipo desconhecido descoberto em 21 de fevereiro de 2006 na constelação de Boötes durante uma pesquisa no aglomerado galáctico CL 1432.5+3332.8 através do canal de campo largo da câmera avançada de pesquisas (Advanced Camera for Surveys Wide Field Channel) do telescópio espacial Hubble. Esse estranho objeto foi notado pela primeira vez em 2006 pelo time de caçadores de supernova liderado por Barbary (EUA), que reportou que o espectro luminoso emitido pelo objeto não se encaixa dentro dos perfis conhecidos para os tipos catalogados de supernova e é distinto de qualquer outro fenômeno do banco de dados da pesquisa SDSS (Sloan Digital Sky Survey).

Essa fenomenal ‘possível supernova’ foi observada por um período de duração superior a 100 dias. O time do EUA publicou suas observações em setembro de 2008, deixando ‘em branco’ a natureza do SCP 06F6. Em particular estavam incertos se o evento havia ocorrido próximo a nossa galáxia ou em distância muito maior.

 

Aqui vemos o repentino aparecimento do objeto transitório misterioso SCP 06F6 no campo de visão do telescópio espacial Hubble. Os quadrantes inferiores apresentam um “zoom” da imagem acima.

Aqui vemos o repentino aparecimento do objeto transitório misterioso SCP 06F6 no campo de visão do telescópio espacial Hubble. Os quadrantes inferiores apresentam um “zoom” da imagem acima.

A razão dessas dúvidas? A  ‘possível supernova’ não fazia parte de nenhuma galáxia hospedeira, ou seja, estava no meio de um ‘vazio cósmico’ e apresentava um alto desvio para o vermelho, com z=0,14, indicando que estava a uma grande distância da Terra, ou seja, não pertencia a nossa galáxia, a Via Láctea.

Agora o time de astrofísicos da universidade de Warwick no Reino Unido julga ter encontrado uma resposta. De acordo com sua pesquisa, as observações do objeto SCP 06F6 apontam uma distância da Terra de cerca de 2 bilhões de anos-luz, causando um considerável desvio do seu espectro para o vermelho. Considerando essa enorme distância calculada e a inesperada aparição desse objeto cósmico  relacionado a morte súbita de uma estrela rica em carbono, o time liderado por Warwick concluiu ter descoberto uma nova categoria de supernova tipo II.

Este tipo de supernova é excepcional por causa destes interessantes aspectos apresentados nesse evento incomum:

  1. A supernova SCP 06F6 está localizada em uma parte ‘vazia’ do céu, com ausência de galáxias visíveis a hospedá-la;
  2. A ‘estrela progenitora’ não foi detectada, conforme imagem acima (*);
  3. Essa supernova durou 4 vezes mais tempo, mais de 100 dias, entre seu início e a redução de sua luminosidade, ou seja, uma supernova típica atinge seu pico de luminosidade em apenas 20 dias;
  4. A supernova emitiu 100 vezes mais quantidade de raios-X do que o normal esperado para um supernova típica tipo II.

Hipóteses alternativas?

A intensidade não usual de raios-X pode levar-nos a especular que a estrela anã-branca pode ter sido até mesmo destruída por um buraco negro ao invés de explodir por si própria, no entanto, o pesquisador Boris Gänsicke, pesquisador líder da Universidade de Warwick afirma que essa suposição é controversa, pois:

“A falta de uma óbvia galáxia hospedeira para o objeto SCP 06F6 implica que o suposto buraco negro deveria ser de baixa massa (como um buraco negro no centro de uma galáxia anã irregular) ou que o buraco negro foi de alguma forma ejetado de sua galáxia hospedeira. Enquanto essas possibilidades não são improváveis, tal cenário faz com que o caso da desintegração causada por um buraco negro seja, de alguma forma, uma hipótese extremamente forçada, ou seja, controversa”.

A pesquisa foi publicada no exemplar de 01 de junho de 2009 do Astrophysical Journal Letters com o título:

“SCP06F6: A carbon-rich extragalactic transient at redshift z~0.14?” [ Um transiente extragaláctico rico em carbono com desvio para o vermelho z~0,14 ] por  Dr Boris  Gaensicke, Dr Andrew Levan,  Professor Thomas Marsh e Dr Peter Wheatley, todos do Departamento de Física na Universidade de Warwick.

Paralelamente a esse estudo, outro grupo de astrônomos israelenses apresentou uma lista de 4 explicações para a origem do objeto:

  1. Colisão de uma anã-branca com um buraco negro;
  2. Uma supernova tipo Ia de uma estrela de carbono e oxigênio;
  3. Uma anã-branca engoliu um objeto massivo e entrou em colapso;
  4. O objeto pertencem a uma nova classe de supernovas de colapso do núcleo (uma variante da SN tipo II).

Conclusão!?

Boris Gänsicke dá o parecer final: “Vários novos telescópios estão agora sendo projetados e construídos para continuamente monitorar o céu inteiro para vislumbrar novas aparições de estrelas e não há dúvida que o objeto anômalo SCP 06F6 não permanecerá solitário deixando os astrônomos intrigados nos próximos anos”.

Vamos aguardar novidades futuras então, torcendo para outro fenômeno similar seja detectado pelos incansáveis astrônomos caçadores de supernova.

Fontes e Referências:

ArXiv.org:

Stellar Explosion Displays Massive Carbon Footprint

ScienceDaily: Star Light, Star Bright, Its Explanation Is Out Of Sight

New Scientist:

Deixe uma resposta