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maio 06

As estrelas anãs-laranjas são os verdadeiros oásis para a evolução da vida

Exoplaneta rico em CO2 orbitando a estrela anã-laranja HD 189733

Exoplaneta rico em CO2 orbitando a estrela anã-laranja HD 189733. Crédito: The Register

O lugar mais apropriado para a existência da vida deve ser em volta de estrelas ligeiramente menos massivas que o Sol, denominadas anãs-laranjas, conforme análise publicada recentemente.

Essas estrelas da classe espectral K correspondem a 12,1% das estrelas próximas do Sol e vivem bem mais que o Sol (a vida útil de uma estrela é o tempo de permanência na seqüência principal) e têm zonas habitáveis (regiões onde água líquida pode existir em planetas) bem mais seguras (tanto quanto a do Sol) que aquelas que se apresentam nas estrelas anãs-vermelhas menores.

As estrelas semelhantes em massa ao Sol, classificadas como anãs-amarelas têm recebido o máximo de atenção dos caçadores de exoplanetas. Mas as pesquisas recentes sugerem que as anãs-laranjas constituem de fato melhores lugares para a busca de planetas habitáveis.

Edward Guinan da Universidade Villanova na Pensilvânia lidera um time que tem estudado como as propriedades dessas estrelas variam com a sua massa. O time está baseando seus estudos em observações disponíveis de uma variedade de fontes existentes, tais como medições do satélite ROSAT de raios-X e mais recentes medidas de diversos telescópios terrestres.

As anãs-laranjas têm um tempo de vida estendido!

Os resultados confirmam que as estrelas anãs, cuja massa fica entre 10% a 50% da massa solar, são muito mais perigosas e explosivas, liberando poderosas tempestades que podem irradiar nocivamente planetas próximos. Essa instabilidade pode declinar a medida que a anãs-vermelhas envelhecem. Assim os cientistas não descartaram totalmente essas estrelas como lugares potenciais a vida, mas certamente a evolução da vida em planetas habitáveis dessas estrelas sofrerá desafios descomunais.

Por outro lado as anãs-laranjas  com massas variando entre 50% e 80% da massa solar tem apenas um pouco mais de atividade que o Sol. Elas provem uma extensão para a vida em termos de longevidade uma vez que facilmente permanecem por 20 bilhões de anos ou bem mais (o dobro dos 10 bilhões de anos da vida útil do Sol, ou seja, a permanência na seqüência principal).

Mais ainda: as estrelas anãs-laranjas têm uma variação menor ao longo do seu ciclo de vida que as anãs-amarelas. Desde que surgiu o brilho do Sol cresceu cerca de 30% em 4,5 bilhões de anos e dentro de 1 bilhão de anos transformará a Terra em um lugar  muito quente para a vida, mesmo considerando-se que o Sol ainda terá 5 bilhões de anos para queimar o hidrogênio de seu núcleo antes de tornar-se uma gigante vermelha.

Excelentes alvos para a caça de exoplanetas!

As chances da vida inteligente surgir poderão ser bem maiores em planetas orbitando anãs-laranjas que as estrelas como o Sol tendo em vista o tempo extra que permitirá seu desenvolvimento.

Assim as anãs-laranjas não apenas são alvos excepcionais para a busca de exoplanetas habitáveis como também para os programas de busca pela vida inteligente como o SETI, disse Guinan. “Existem estrelas bem maduras – alguma com 8 a 9 bilhões de anos de idade, e podem haver planetas bem mais evoluídos “, disse ele a New Scientist.

Além disso, as anãs-laranjas são 3 a 4 vezes mais abundantes que as estrelas como o Sol, o que aumenta o campo de ação das pesquisas. Na verdade alguns exoplanetas já foram encontrados orbitando anãs-laranjas, infelizmente fora de suas zonas habitáveis.

Mas  Gregory Laughlin da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, disse que com a tecnologia atual já deve ser possível detectar exoplanetas com massa próxima a massa terrestre em zonas habitáveis de anãs-laranjas. “Elas parecem ser um bom alvo para prospecção de planetas habitáveis”, disse Gregory a New Scientist.

Guinan discutiu sua pesquisa na primeira semana de maio, na conferência de astrobiologia em Baltimore, Maryland.

Catálogo de estrelas habitáveis

Comparação do tamanho e cor de Épsilon Eridani e o Sol (à direita)

As anãs: Laranja e Amarela. Comparação do tamanho e cor de Épsilon Eridani (à esquerda) e o Sol (à direita)

As anãs-laranjas mais próximas da Terra são Alpha Centauri B e Epsilon Eridani e distam respectivamente 4,37 e 10,5 anos-luz.

Cabe lembrar que das 5 estrelas mais próximas da Terra selecionadas  pela astrobióloga  Margaret Turnbull no catálogo de sistemas habitáveis próximos, ou seja, os melhores alvos para os programas de busca de vida extraterrestre, as quatro primeiras são anãs-laranjas, classe K:

  • Epsilon Indi A: a primeira escolha de Turnbull é uma estrela com 1,3 bilhões de anos de idade, 17% do brilho solar e dista cerca de 11,8 anos-luz na constelação Indus.
  • Epsilon Eridani é uma estrela jovem com menos de 1 bilhão de anos de idade e possui 3 anéis de asteróides. Os espaços entre os anéis e entre a estrela e o anel mais próximos devem estar preenchidos com exoplanetas.
  • Omicron² Eridani ou 40 Eridani A: Dista cerca de 16 anos-luz da Terra, classe espectral K1V e tem quase a mesma idade do Sol. Faz parte de um sistema triplo.
  • Alpha Centauri B: faz parte do sistema triplo Alpha Centauri e é anã-laranja mais próxima da Terra. Sua idade é estimada em 4,85 bilhões de anos.
  • Tau Ceti: das 5 favoritas é a única da classe G – anã-amarela, como o Sol. Trata-se de um sistema antigo, com 10 bilhões de anos de idade.

Fontes e referências:

STSCI: The Search for Life in the Universe

New Scientist: Orange stars are just right for life por David Shiga, Baltimore

Epsilon Eridani, a estrela irmã do Sol, tem 3 anéis

Top Five Stars That May Support Life Announced por Adrianne Appel para National Geographic News

Space.com: Top 10 List of Habitable Stars to Guide Search por Ker Than

Astronomy.com: The most hospitable known stars [ Exoplanet-hunter Margaret Turnbull pinpoints 10 stars where life would most likely exist ] por Jeremy McGovern

Cosmos Magazine: The stars most likely

hd-98800-quatro-sois

Um sistema com quatro estrelas anãs-laranjas: a concepção artística acima mostra os dois anéis de poeira que indicam a possível presença de um exoplaneta ainda não detectado, orbitando o par central de estrelas no sistema quádruplo HD 98800 - Illustração: NASA/JPL-Caltech/T Pyle/SSC. O sistema quádruplo de estrelas HD 98800 consiste de dois pares binários HD 98800 A e B, ambos com estrelas T Tauri (anãs laranjas de tipo espectral K), e dois discos ao redor da componente B. O par A-B tem uma separação de 50 UA e um período de 300-430 anos. As estrelas da componente B, com semi-eixo maior de ~0,98 UA e excentricidade 0,78, são denominadas HD 98800 Ba e Bb, suas massas são 0,699 e 0,582 Massas Solares, respectivamente. Os discos ao redor de HD 98800 B se localizam nas distâncias radiais de 1,5 a 2 UA e de 5,9 a 6,5 UA. O plano dos discos apresenta uma inclinação superior a 10 graus.

1 comentário

8 menções

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  1. Helder

    Eu vi uma hoje as 12:10 a olho nu e fiquei impressionado, pois é um laranja muito forte parecendo cor de lava incandescente.

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