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abr 21

Gliese 581 d pode ser um exoplaneta oceânico?

Visão artística de Gliese 581 e, o exoplaneta de menor massa já descoberto. Crédito: ESO

Visão artística de Gliese 581 e, o exoplaneta de menor massa já descoberto. Crédito: ESO

Gliese 581, a estrela anã-vermelha que há alguns anos apareceu nos noticiários sobre sua possível “super-terra” em zona de habitação, voltou a ser manchete. O famoso astrônomo suíço Michel Mayor, caçador de exoplanetas,  e seu time de astrônomos do Observatório de Genebra na Suíça localizaram um quarto planeta nesse sistema, Gliese 581 e o qual tem massa de apenas 1,9 vezes a massa da Terra.

Michel Mayor é o astrônomo suíço que em 1995 junto com Didier Queloz descobriu o primeiro planeta extra-solar, 51 Pegasi b, através do método de velocidade radial no Observatório de Genebra.

Michel Mayor é o astrônomo suíço que em 1995 junto com Didier Queloz descobriu o primeiro planeta extra-solar, 51 Pegasi b, através do método de velocidade radial no Observatório de Genebra.

Tal cálculo aponta esse exoplaneta como o menor já encontrado. Orbitando a estrela Gliese em 3,15 dias-terrestres, o novo planeta extrasolar está próximo demais da sua estrela para situar-se dentro da zona de habitação de Gliese 581, estrela que fica na constelação de Libra a 20,5 anos-luz de distância da Terra.

A descoberta deste exoplaneta pequeno (para os padrões atuais de busca), contudo, trás ótimas noticias: os refinamentos nos cálculos dos demais exoplanetas desse sistema confirma que o quarto planeta Gliese 581 d está dentro da zona habitável!

Essas fantásticas descobertas são o resultado de mais de 4 anos de observações usando o equipamento de maior sucesso no mundo na caça de exoplanetas de pequena massa: o espectrógrafo HARPS – High Accuracy Radial Velocity Planet Searcher (equipamento de detecção de planetas pelo método de Velocidade Radial com Alta Precisão) que está integrado ao telescópio da ESO (European Southern Observatory) de 3,6 metros em La Silla, Chile.

O astrônomo suíço Michel Mayor, descobridor do primeiro exoplaneta em 1995 , o 51 Pegasi b,  exclamou exultante: “É impressionante vermos até que ponto chegamos desde a primeira descoberta de um exoplaneta [ 51 Pegasi b ] orbitando uma estrela convencional em 1995 – o que orbita 51 Pegasi. Gliese 581 e tem massa 80 vezes menor que a massa de 51 Pegasi b. Esse é um tremendo progresso em apenas 14 anos”.

Com a descoberta de Gliese 581 e, o sistema planetário de Gliese 581 agora apresenta-se com 4 exoplanetas conhecidos, com as seguintes massas, distâncias a estrela-mãe, períodos orbitais e excentricidades:

O sistema Gliese 581
Exoplaneta
(em ordem de proximidade)
Massa Semieixo maior
(UA)
Período Orbital
(dias)
Excentricidade
Gliese 581 e >1,9 M 0,03 3,14942 ± 0,00045 desconhecida
Gliese 581 b >15,7 M 0,041 5,3683 ± 0,0003 0,02 ± 0,01
Gliese 581 c >5,03 M 0,073 12,932 ± 0,007 0,16 ± 0,07
Gliese 581 d (dados atualizados)
M 0,22 66,8 0,20 ± 0,10
Refinando os cálculos da órbita de Gliese 581 d, descoberto em 2007, os astrônomos confirmaram a sua presença dentro da zona de habitação de Gliese 581, onde a água liquida pode existir. O diagrama acima mostra os planetas do Sistema Solar (na barra superior) comparando suas distâncias com os exoplanetas de Gliese 581 (barra inferior). A zona de habitação está representada pela zona azulada, mostrando Gliese 581 d como um planeta dentro da zona de habitação. Crédito: ESO

Refinando os cálculos da órbita de Gliese 581 d, descoberto em 2007, os astrônomos confirmaram a sua presença dentro da zona de habitação de Gliese 581, onde a água liquida pode existir. O diagrama acima mostra os planetas do Sistema Solar (na barra superior) comparando suas distâncias com os exoplanetas de Gliese 581 (barra inferior). A zona de habitação está representada pela zona azulada, mostrando Gliese 581 d como um planeta dentro da zona de habitação. Crédito: ESO

Michel Mayor ressaltou que “O Santo Graal da pesquisa de exoplanetas é a detecção de planetas rochosos similares a Terra dentro da ‘zona de habitação’ – uma região próxima a estrela hospedeira onde se apresentam as condições certas para a existência de água liquida na superfície do planeta”.

Visão de um exoplaneta oceânico congelado orbitando uma estrela anã-vermelha

Visão de um exoplaneta oceânico congelado orbitando uma estrela anã-vermelha

Stephane Udry, do time de astrônomos que fez a descoberta, afirma que “Gliese 581 d é provavelmente muito massivo para ser composto unicamente de material rochoso, mas podemos especular que se trata de um planeta congelado que migrou para uma região orbital mais próxima de sua estrela”. As novas observações revelaram que este planeta, situando-se na zona habitável, pode ser um planeta oceânico – um mundo aquático coberto inteiramente por um imenso e profundo oceano.

Os astrônomos estão confiantes que poderão fazer ainda muito mais. “Com condições similares de observação, um planeta similar no meio da zona habitável de uma anã-vermelha poderá ser detectável em breve”, afirmou Bonfills, “A caçada continuará…”.

Fontes e Referências:

ESO: Lightest exoplanet yet discovered

Centauri Dreams: Water World Around Gliese 581?

Cosmos Magazine: “Serious candidate” for ocean planet found

Astronomy.com: Scientists discover lightest exoplanet yet

Gliese 581c - Crédito©: Karen Wehrstein {1}

Planeta oceânico orbitando Gliese 581 – Crédito©: Karen Wehrstein {1}

{1} APOD: O sol de Gliese 581 c por Karen Wehrstein


5 comentários

10 menções

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  1. Caio Julio Cesar Giordano

    Esses planetas com uma face voltada continuamente para sua estrela deveriam ser melhor estudados. A água ficaria concentrada no lado frio? Haveria água líquida realmente? Os ventos seriam muito fortes? Se pequenas variações de temperatura já causam furacões aqui na terra, imagina um planeta ainda maior, com diferenças ainda maiores.

  2. ROCA

    Danilo,
    “será que algum dia vamos ter tecnologia para colonizar esses planetas?”
    A raça humana atual não, por muito tempo. A gravidade extrema de uma ‘super-terra’ impede que consigamos viver lá. Para colonizar planetas mais massivos que a Terra a raça humana terá que adaptar-se e sofrer mutações, talvez em milhões anos a frente.
    As anãs-vermelhas são estrelas problemáticas pois variam de luminosidade raivosamente (solar flare) e assim submetem os seus planetas a castigos climáticos terríveis.
    Além disso essa estrela não é atrativa pois emite na radiação do infra-vermelho e não permite que as plantas sobrevivam pois não conseguiriam realizar a fotossíntese.
    No entanto, dentro de 1 trilhão de anos só restarão estrelas desse tipo (anãs-vermelhas), assim uma civilização sobrevivente, terá que estar compatível com esse cenário.
    Por outro lado enxergo um planeta oceânico ou um com uma capa de gelo e oceano interno como uma boa forma de abrigar a vida. Lembre-se que trata-se de uma super-terra, ou seja, deve ser massiva para ter um núcleo líquido com ferro em movimento gerando campo magnético e deve ser bastante quente internamente para aquecer seus oceanos. Assim as formas de vida extremas poderiam habitar seus oceanos e prescindir da luz da anã-vermelha.

  3. Danilo

    Bem bacana. Vi essa notícia na Folha online. Mas acho que essa zona habitavel da ilustração está um pouco otimista. Marte e Venus estão dentro desse limite na imagem. É interessante saber como a caça a exoplanetas evoluiu desde então. Aí fica a pergunta: será que algum dia vamos ter tecnologia para colonizar esses planetas? 20 anos luz é pouco para o tamanho do universo, mas muito para nós.

  4. ROCA

    Idelfonso,

    Uma análise superficial indica que se Gliese 581 d “migrou para uma região orbital mais próxima de sua estrela”, como disse Stephane Audry da ESO, então essa super-terra deve ser uma imensa bola-de-neve, uma vez que ele está na região ‘mais fria’ da zona de habitação.

    Tendo em vista sua enorme massa (7 vezes a da Terra) e os efeitos de maré a que é submetida por estar próxima de Gliese 581 esse planetão deve conter um oceano profundo embaixo de sua capa de gelo, como a lua Europa de Júpiter.

    Interessante nisso é que a vida (simples, microbiana) poderia desenvolver-se livremente nesse oceano sob o gelo e estaria protegida das tempestades solares de Gliese 581, por ser uma anã-vermelha, apresenta um comportamento muito instável podendo variar repentinamente seu brilho em até ~40%.

    De qualquer forma Gliese 581 d não é um mundo tão gelado quanto pensávamos antes. Também não chega a ser parecido com o hipotético planeta Aurélia mostrado pelo National Geographic e analisado aqui no Yahoo-Respostas:

    Planeta Aurélia – É possível que a vida por lá seja assim?
    https://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20081011082609AAPpYyg

    Quanto ao Gliese 581 e, trata-se de uma super-terra condenada à esterilidade, por estar muito próxima de sua estrela, gravitacionalmente presa em rotação sincrônica, com uma face voltada para seu sol e a outra em noite eterna…

  5. Jose Ildefonso

    Na verdade, na minha opinião, a grande notícia é que desde o primeiro exoplaneta descoberto, Pegasus 51b, passados só 14 anos,o progresso nessa área foi enorme, ao ponto de encontrar um corpo com apenas duas vezes a massa da Terra. Como explica o próprio Mayor, quanto menor a massa, menor é o efeito gravitacional e muito mais difícil de se descobrir o planeta.

    Sem dúvida um grande trabalho.

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