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abr 12

Sondas espaciais STEREO procuram restos de um misterioso protoplaneta chamado Theia

Implantação dos painéis das sondas STEREO. Crédito: Johns Hopkins, University Applied Physics Laboratory. Crédito: Dr. C. J. Eyles, University de Birmingham

Implantação dos painéis das sondas STEREO. Crédito: Johns Hopkins, University Applied Physics Laboratory. Crédito: Dr. C. J. Eyles, University de Birmingham

Como a Lua se formou? A principal hipótese Giant Impact Theory” propõe que no início da formação do Sistema Solar, um protoplaneta com a dimensão de Marte impactou com a Terra. Os restos da colisão, uma mistura do material de ambos os corpos, foram arremessados para fora da órbita da Terra e se aglutinaram dando origem a Lua. Em breve esta teoria poderá ser testada, resolvendo talvez a questão de como a Lua se formou. Duas sondas gêmeas, da NASA, estão prestes a entrar em regiões do espaço conhecidos como Pontos de Lagrange onde os restos deste misterioso protoplaneta podem estar escondidos. As sondas denominadas Solar Terrestrial Relations Observatory, ou simplesmente STEREO, passarão pelos pontos L4 e L5 onde a gravidade do Sol e da Terra se une formando vazios gravitacionais onde asteróides e poeira espacial tendem a recolher-se.

Os cincos pontos de Lagrange para o Sistema Terra x Sol

Os cincos pontos de Lagrange para o Sistema Terra x Sol

Durante a jornada, as duas sondas poderão usar largos campos de visão telescópica para procurar por asteróides orbitando por essas regiões. Os cientistas serão capazes de identificar se um ponto de luz é um asteróide se ele mudar sua posição em relação às estrelas ao fundo, uma vez que este se move em sua órbita.

A Giant Impact Theory explica muitos aspectos da geologia lunar, inclusive o tamanho do núcleo da Lua e a composição isotópica das rochas lunares. Uma modificação da Giant Impact Theory e a “Theia hypothesis”, uma idéia dos teóricos da universidade de Princeton, Edward Belbruno e Richard Gott.

“Cerca de 4,5 bilhões de anos atrás, quando os planetas ainda estavam em crescimento, um hipotético mundo chamado Theia pode ter sido expulso de L4 ou L5 pela gravidade crescente de outros planetas em desenvolvimento como Vênus, enviando Theia numa rota de colisão com a Terra. O impacto resultante expulsou as camadas externas de Theia e da Terra colocando-as em órbita, e assim essas camadas se aglutinaram sob a própria gravidade para formar a Lua.” – disse Michael Kaiser, cientista do projeto STEREO no Goddard Space Flight Center.

Onde estão as sondas STEREO A e B hoje? Veja no gráfico acima

Onde estão as sondas STEREO A e B hoje? Veja no gráfico acima. Crédito: NASA/SSC

Ainda no século 18, o matemático Joseph Louis Lagrange percebeu que havia cinco desses vazios gravitacionais no Sistema Solar. As sondas estão se aproximando de L4 e L5.

“Estes pontos podem conter pequenos asteróides, que poderiam ser os restos de um planeta com a dimensão de Marte que teria se formado há bilhões de anos atrás” – disse Kaiser.

Animação mostra a colisão de Theia com a Terra (Big Splash)

Animação mostra a colisão de Theia com a Terra (Big Splash)

A teoria explica enigmáticas propriedades da Lua, como o pequeno núcleo de ferro. O impacto colossal entre a Terra e Theia, teria permitido que os elementos mais pesados como ferro, descer para o centro para formando o núcleo. O impacto teria lançado fora as camadas externas dos dois mundos, contendo principalmente silício. O interessante é que a Lua é formada principalmente deste material.

Vale lembrar que a principal missão das sondas STEREO é fornecer dados sobre o clima espacial, observando o Sol desses dois pontos. As imagens e outros dados são combinados para estudo e análise.

Mapa atual do Sol gerado pelas sondas STEREO

O clima espacial produz perturbações nos campos eletromagnéticos da Terra, podendo afetar as linhas elétricas provocando apagões. Também podem afetar sistemas de comunicação e navegação. O clima espacial tem sido reconhecido como causador de problemas para novas tecnologias desde a invenção do telégrafo, no século 19.

Posições relativas das sondas gêmeas STEREO e das sondas SOHO e ACE. Crédito: NASA/Solar TErrestrial RElations Observatory team.

Posições relativas das sondas gêmeas STEREO e das sondas SOHO e ACE. Crédito: NASA/Solar TErrestrial RElations Observatory team.

Fontes e referências:

Site da NASA: STEREO

Universe Today:

Centauri Dreams: STEREO: Into the Lagrangian Points

Space.com: The Search for the Solar System’s Lost Planet por Clara Moskowitz

Astronomy.com: NASA twin spacecraft may reveal secret of Moon’s origin
[An impact blasted the outer layers of Theia and Earth into orbit, which eventually coalesced under their own gravity to form the Moon]

ξΥξ

6 comentários

3 menções

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  1. cahzinha

    posso saber onde estão
    🙂

  2. cahzinha

    quero saber aonde estão as sondas espaciais

  3. Walter

    Obrigado pela informação. A questão chave é considerar o baricentro do sistema Terra -Sol. Eu acho que a representação dos pontos L3, L4 e L5 SOBRE a linha da órbida da Terra induz a um erro. Na verdade L3 está mais próximo e L4 e L5 estão mais longe do Sol do que a órbita da Terra, conforme bem representado corretamente na Wikipedia.

  4. Walter

    Caros… Não consigo entender a lógica das posições L4 e L5 de Lagrange. As demais para mim são lógicas e facilmente entendíveis como resultado da soma vetorial da gravidade da Terra com a gravidade do Sol e com a força centrífuga resultante da velociade orbital do planeta/sonda igual a zero. Mas as posições L4 e L5 tem alguma coisa a mais porque essa soma não é zero. Que coisa é essa?

    1. ROCA

      As posições L4 e L5 ficam em triângulos equiláteros entre a Terra e o Sol e são os pontos onde há um equilíbrio entre a distãncia e a força gravitacional dos dois objetos massivos. Nestes pontos é onde o baricentro do sistema Terra-Sol também é o centro de rotação, daí o equilíbrio e a estabilidade.

      Veja o diagrama aqui:
      http://en.wikipedia.org/wiki/Lagrangian_point#L4_and_L5

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