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fev 20

O telescópio orbital Swift mantém o Cometa Lulin em vista

Essa imagem do cometa Lulin foi obtida em 28 de janeiro de 2009 combina dados obtidos pelos dispositivos de ultravioleta, ótico e raios-X (azul, verde e vermelho) do telescópio orbital Swift. Nessa data Lulin estava a 160 milhões de km da Terra e 185,5 milhões de km do Sol. Crédito: NASA/Swift/Universidade de Leicester/Bodewits et al.

Essa imagem do cometa Lulin foi obtida em 28 de janeiro de 2009 combina dados obtidos pelos dispositivos de ultravioleta, ótico e raios-X (azul, verde e vermelho) do telescópio orbital Swift. Nessa data Lulin estava a 160 milhões de km da Terra e 185,5 milhões de km do Sol. Crédito: NASA/Swift/Universidade de Leicester/Bodewits et al.

A sonda espacial Swift tem trabalhando dobrado nesses dias. Normalmente esse satélite observador de raios-gama varre o céu a procura as poderosas explosões de alta-energia cósmicas, ou seja, os famosos GRBs (explosões de raios gama – gamma-ray burst). Agora o Swift está também monitorando o cometa Lulin que está se aproximando da Terra. Pela primeira vez os astrônomos estão vendo simultaneamente imagens em ultravioleta e raios-X de um cometa. “O cometa Lulin está liberando uma quantidade imensa de gás, o que o transforma no alvo ideal para observações de raios-X”, disse Andrew Read de Leicester.

Além disso, os dados da faixa de freqüência ultravioleta mostram que o cometa Lulin está soltando uma quantidade enorme de água: ≈3.000 litros de água por segundo!

“Não vamos poder enviar uma sonda para alcançar o cometa Lulin, mas o telescópio espacial Swift está nos dando informação equivalente ao que obteríamos de uma missão de sondagem”, afirma Jenny Carter da universidade de Leicester, Inglaterra, que está liderando esse estudo.

Os cometas são comumente chamados de “bolas de neve sujas”, uma vez que eles acumulam gases congelados e poeira cósmica. Quando os cometas se aventuram a passar nas proximidades do Sol, o cometa é aquecido pela radiação Solar e o gás e a poeira são liberados. O cometa Lulin, denominado formalmente C/2007 N3, foi descoberto pelo observatório da Tailândia Lulin. O cometa já está fracamente visível a olho-nú em localidades remotas (sem poluição luminosa). Lulin passará próximo da Terra em 23 de Fevereiro de 2009, a uma distância de pouco mais de 60 milhões de quilômetros ( 0,4 UA ), ou seja, ≈160 vezes a distância da Terra a Lua. É a primeira vez que Lulin se apresenta dentro do sistema Solar interior e será também a última vez, ou seja, ele não retornará.

Em 28 de janeiro de 2009 Swift apontou seus telescópios UVOT (ótico-ultravioleta) e XRT (raios-X) na direção de Lulin. “O cometa tem estado bastante ativo”, afirmou Dr. Dennis Bodewits, PHd do Goddard Space Flight Center em Greenbeld, Mariland. “O UVOT mostrou que o Lulin ejeta 3.000 litros de água a cada segundo”, tal quantidade é suficiente para encher uma piscina olímpica em menos de 15 minutos.

O cometa Lulin estava passando pela constelação de Libra quando Swift o fotografou. Crédito: NASA/Swift/Universidade de Leicester/DSS (STScI, AURUA)/Bodewits et al.

O cometa Lulin estava passando pela constelação de Libra quando Swift o fotografou. Crédito: NASA/Swift/Universidade de Leicester/DSS (STScI, AURUA)/Bodewits et al.

O telescópio orbital Swift não pode ver a água diretamente. Mas a luz ultravioleta do Sol rapidamente quebra as moléculas de água em pedaços, gerando átomos de Hidrogênio e moléculas de hidroxila (OH). O telescópio UVOT detecta as moléculas de hidroxila e suas imagens revelam uma nuvem imensa de quase 400.000 km, um pouco maior que a distância entre a Terra e a Lua.

O telescópio UVOT possui um dispositivo prismático chamado de ‘grism’, o qual separa a luz capturada pelos diversos comprimentos de onda. Nas faixas de onda observadas nota-se o espectro com a assinatura da hidroxila. “Tal nos dá uma visão única dos tipos e quantidades dos gases produzidos pelo cometa, o que nos dá pistas sobre a origem dos cometas e do próprio sistema Solar”. Swift é hoje o único observatório com a capacidade de cobrir essas faixas de freqüência do espectro de radiação.

Nas imagens do Swift o rabo do cometa aparece à direita. A radiação Solar empurra os grãos de poeira congelada para fora do cometa, formando o rabo de hidroxila.

Mais além do cometa até a molécula de hidroxila sucumbe ante a poderosa radiação ultravioleta Solar e se fraciona em átomos de oxigênio e hidrogênio. O vento solar, íons em alta velocidade provenientes do Sol, interage com a nuvem de átomos do cometa gerando assim os raios-X. Essa emissão é capturada pelo XRT, conforme explica Stefan Immler, também do instituto Goddard.

Essa interação, denominada troca de carga, gera os raios-X na maioria dos cometas quando eles passam na distância de cerca de 3 UA do Sol. Como Lulin tem franca atividade, sua nuvem atômica é especificamente densa. Como resultado disso, a região ativa de raios-X se estende bem além, na direção do Sol.

“Nós estamos esperando ansiosos pelas futuras observações do cometa Lulin, quando esperamos obter mais dados sobre as emissões de raios-X que nos ajudará a determinar em mais detalhes sua composição”, notou Carter. “Elas irão permitir-nos construir uma visão em 3D mais completa de um cometa durante sua jornada através do sistema Solar”.

Fontes e referências:

O cometa verde Lulin e suas duas caudas

Onde e como ver o Cometa Lulin nos próximos dias

NASA.gov: NASA’s Swift Spies Comet Lulin

The Register: Comet Lulin poses for NASA’s Swift [ Faint ‘fuzzball’ visible over next couple of days ] por Lester Haines

Universe Today: Swift Spacecraft Keeping an Eye on Comet Lulin por Nancy Atkinson

Space.com/NightSky: Cosmic Stage Set for Comet Lulin Show por Robert Roy Britt

Fotos:

APOD: The Swift View of Comet Lulin Crédito: NASA, Swift, Univ. Leicester, DSS (STScI/AURUA), Dennis Bodewits (NASA/GSFC), et al.

2 comentários

2 menções

  1. ROCA

    O cometa Lulin passará a 60 milhões de km da Terra, ou seja, ~40% da distância da Terra ao Sol.

  2. jef_spfc

    se cair aqui por perto podem me acordar para ver OK?

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