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fev 01

Astrônomos começam a caça de exoluas orbitando exoplanetas

Impressão artística (crédito: Andy McLatchie) de uma exolua habitável orbitando um exoplaneta. Poderá a flutuação orbital de um exoplaneta ajudar os astrônomos a achar exoluas?

Impressão artística (crédito: Andy McLatchie) de uma exolua habitável orbitando um exoplaneta. Poderá a flutuação orbital de um exoplaneta ajudar os astrônomos a achar exoluas?

[ Tradução do artigo “Astronomers Now Looking For Exomoons Around Exoplanets” escrito por Ian O’Neill na Universe Today em 14 de dezembro de 2008 ]

Está começando a parecer que os astrônomos estão se tornando cansados de observar diretamente os exoplanetas, já estivemos aqui, já fizemos isso… Assim eles estão agora se aprofundando mais visando uma nova grande descoberta: a detecção de exoluas (ou lua extrasolar) orbitando exoplanetas. Em novo estudo um astrônomo britânico quer usar a técnica mais comumente utilizada na observação indireta de exoplanetas. Essa tradicional e amplamente usada técnica verifica a estrela candidata para ver se ela tremula. A tremulação ou flutuação orbital estelar é usualmente causada pela presença de um objeto massivo orbitando a estrela, revelando indiretamente a presença de um exoplaneta (ou um objeto sub-estelar como uma anã-marrom).

Agora, de acordo com David Kipping, a presença de exoluas também poderá ser detectada pelo “método da análise da flutuação orbital”. Como fazê-lo? Rastreando-se um exoplaneta durante sua órbita ao redor da estrela-mãe para ver seus desvios orbitais devido à interação gravitacional do sistema exoplaneta/exolua. E tem muito mais! Como se não bastasse já considerarmos espetacular esse novo projeto, Kipping tem outra forte motivação por trás da tremulação dos exoplanetas: ele quer achar uma exolua com dimensões e características similares a Terra com potencial para abrigar vida extraterrestre

Se você sentar-me em uma sala e perguntar-me por 10 anos repetidamente: “Se você fosse um astrônomo e tivesse recursos praticamente ilimitados, que gostaria de descobrir?” Acho que jamais chegaria a uma resposta como essa: “eu gostaria de descobrir satélites naturais orbitando exoplanetas”. Entretanto, agora que li um artigo sobre isso e estudei resumos de diversas publicações, tal não me parece mais uma proposição estranha.

David Kipping, astrônomo da University College London (UCL), tem coletado fundos para investigar esse método de medição das flutuações orbitais de exoplanetas para revelar a presença de exoluas, e medir assim sua massa e distância do exoplaneta.

Até agora os astrônomos tem apenas olhado nas mudanças de posição de um planeta na sua orbita em relação a sua estrela-mãe. Isso torna difícil confirma a presença de exoluas uma vez que suas flutuações orbitais poderiam ser causadas também pela presença de outro objeto próximo, como um planeta menor“, disse Kipping. “Adotando esse novo método e procurando por variações na posição do exoplaneta e sua velocidade ao longo do tempo cada vez que ele passa em frente seu estrela-mãe, poderemos ganhar informação mais confiável e desenvolver a habilidade de encontrar uma lua da massa da Terra orbitando um exoplaneta gasoso com a massa de Netuno.

Exoplaneta da classe Netuno

Exoplaneta da classe Netuno

O trabalho de Kipping foi publicado em 11 de dezembro de 2008, nas noticias mensais da Royal Astronomical Society, Inglaterra, e poderá ajudar a busca por exoluas que permanecem dentro da zona de habitação de sua estrela-mãe. Dos mais de 300 exoplanetas já observados, cerca de 30 deles orbitam dentro da zona de habitação de suas estrelas hospedeiras. Mas os planetas em si são imensos gigantes gasosos, e diversos deles bem maiores que o tamanho de Júpiter. Esses gigantes gasosos são notadamente hostis a formação da vida (vida como a conhecemos, é claro) e por isso tem sido mantido de fora da lista de candidatos a exoplanetas habitáveis.

Mas e se esses exoplanetas massivos em zonas habitáveis tivessem exoluas do tamanho da Terra em sua volta? Poderiam elas ser detectadas? Parece que sim.

O Professor Keith Mason, executivo do Science and Technology Facilities Council (STFC), adicionou: “É bastante excitante que nós agora poderemos juntar tanta informação sobre luas distantes como planetas distantes. Se alguns desses gigantes gasosos encontrados fora do Sistema Solar tiverem luas, assim como Júpiter e Saturno as tem, existe uma possibilidade real que algumas delas sejam tais como a Terra“.

Fique atento por algum anúncio em breve da descoberta da primeira exolua das dimensões da Terra, considerando a velocidade acelerada em que a astronomia tem avançado no século XXI. Assim poderemos estar olhando para nossa primeira exolua do tamanho da Terra bem mais cedo que pensávamos…

Fontes e referências:

Centauri Dreams: Getting Closer to an Exomoon Detection

ArXiv.org: Transit timing effects due to an exomoon por David M. Kipping, Department of Physics and Astronomy, University College London,Gower Street, London WC1E 6BT, UK

Universe Today: Astronomers Now Looking For Exomoons Around Exoplanets por Ian O’Neill

New Scientist Magazine, número 2682: Planet wobbles could reveal Earth 2.0

Science Daily: Wobbly Planets Could Reveal Earth-like Moons

Astroengine: Introducing the Exomoon, and Detecting them via Exoplanet Wobble

Nature:  “Habitable moons around extrasolar giant planets” por James F. Kasting, Richard A. Wade e Darren M. Williams

Uma lua extrasolar ou exolua oceânica orbitando um exoplaneta gigante gasoso. Crédito: Ray Lustig

Uma lua extrasolar ou exolua oceânica orbitando um exoplaneta gigante gasoso. Crédito: Ray Lustig

2 comentários

4 menções

  1. ROCA

    A idéia de exoluas gigantes (do tamanho da Terra) é atraente se pensarmos nas estrelas anãs-vermelhas. As anãs-vermelhas são as estrelas mais frequentes no Universo (80%). Sendo estrelas muito frias, um exoplaneta dentro da zona de habitação fatalmente estará próximo da estrela e naturamente em rotação sincrônica (como a Lua está em relação a Terra), exibindo sempre a mesma face para sua estrela-mãe. O clima em tal exoplaneta fica comprometido e a evolução da vida extremamente prejudicada. Uma exolua de grande porte (da magnitude da Terra, com atmosfera, magnetosfera, água, oceanos, placas tectônicas, como a da imagem no artigo) não terá esse problema uma vez que a mesma está orbitando o seu planeta e não a estrela. Assim seu clima será ameno pois ela estará girando em torno de seu eixo, em relação ao seu diminuto sol vermelho.

  2. Felipe Leonardo

    Se levarmos em consideração as dezenas de luas que encontramos orbitando os planetas gasosos no sistema Solar é praticamente certo que os exoplanetas tenham exoluas nas suas redondezas, acho que é apenas uma questão de tempo para a primeira ser descoberta.

    Será que o JWST poderá detectar exoluas? Ou o TPF poderá realizar tal feito? Fico na expectativa de novas descobertas…

    Como é bom explorar novos horizontes!

  1. Vamos descobrir em breve uma exolua tal como a lua Pandora do filme Avatar? « Eternos Aprendizes

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  2. Como usar o observatório espacial Kepler para descobrir exoluas habitáveis? « Eternos Aprendizes

    […] examinamos aqui em Eternos Aprendizes há alguns meses o trabalho de David Kipping sobre exoluas (também chamadas de luas extrasolares). […]

  3. Métodos propostos para detecção de exoluas « Eternos Aprendizes

    […] usando esses dois efeitos combinados. O autor testou o método em Gliese 436 b e deduziu que a flutuação orbital desse exoplaneta gerada pela presença de uma hipotética exolua com massa igual a do planeta Terra […]

  4. Existem outras civilizações? Elas também sonham em viajar para outras estrelas e mundos? « Eternos Aprendizes

    […] temos ainda uma boa leitura para saber quanto habitável é um exoplaneta ou uma exolua, ou se a Terra é rara. Afinal, Peter Ward e Donald Brownlee podem estar certos? Ainda não […]

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