Vênus observado sob a ótica do ultravioleta e do infravermelho


Imagem obtida pela Venus Monitoring Camera na faixa do ultravioleta (0,365 micrômetros), a partir da distância de cerca de 30.000 km. Vemos aqui numerosas características contrastantes, causadas por uma química desconhecida nas nuvens venusianas que absorvem a luz ultravioleta e criam as áreas brilhantes e as zonas obscuras. A partir dos dados fornecidos pela Venus Express, os cientistas têm aprendido que as áreas equatoriais de Vênus que aparecem escurecidas para a luz ultravioleta são região com temperatura relativamente mais baixa, onde convecções intensas trazem matéria escura da parte inferior. Em contrate, as regiões mais claras nas latitudes médias são áreas onde a temperatura atmosférica decresce com a profundidade. A temperatura atinge um mínimo no topo das nuvens suprimindo a mistura vertical. Tal fenômeno chamado anel de ar-frio aparece como uma tira brilhante nestas imagens de ultravioleta. Créditos: ESA/MPS/DLR/IDA

Imagem obtida pela Venus Monitoring Camera na faixa do ultravioleta (0,365 micrômetros), a partir da distância de cerca de 30.000 km. Vemos aqui numerosas características contrastantes, causadas por uma química desconhecida nas nuvens venusianas que absorvem a luz ultravioleta e criam as áreas brilhantes e as zonas obscuras. A partir dos dados fornecidos pela Venus Express, os cientistas têm aprendido que as áreas equatoriais de Vênus que aparecem escurecidas para a luz ultravioleta são região com temperatura relativamente mais baixa, onde convecções intensas trazem matéria escura da parte inferior. Em contrate, as regiões mais claras nas latitudes médias são áreas onde a temperatura atmosférica decresce com a profundidade. A temperatura atinge um mínimo no topo das nuvens suprimindo a mistura vertical. Tal fenômeno chamado anel de ar-frio aparece como uma tira brilhante nestas imagens de ultravioleta. Créditos: ESA/MPS/DLR/IDA

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Aos olhos humanos, Vênus não passa de um discreto ponto amarelo. Mas olhando-o nas freqüências de luz ultravioletas e infravermelhas, o planeta gêmeo da Terra ganha vida. Novas imagens obtidas a partir de instrumentos a bordo da nave da ESA, Venus Express, revelam a atmosfera turbulenta do planeta.

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Com a Venus Express, é possível comparar o aspecto do planeta em diferentes comprimentos de onda, uma potente ferramenta para os cientistas estudarem as condições físicas e a dinâmica atmosférica do planeta.

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Usando a Venus Express é possível comparar como Vênus se mostra em diferentes comprimentos de onda, dando aos cientistas uma ferramenta poderosa para estudar sua turbulenta atmosfera. Na parte inferior, à esquerda, vemos um mapa diferencial de temperaturas (não são valores absolutos) das nuvens venusianas no topo da atmosfera, derivadas do espectrômetro VIRTIS (Visible and Infrared Thermal Imaging Spectrometer), no lado noturno do planeta. Quanto mais escura a região, mais frias são as nuvens superiores. Na parte superior, à direita, vemos uma imagem em ultravioleta do lado diurno de Vênus, capturada pela câmera VMC (Venus Monitoring Camera), simultaneamente com a visão infravermelha do lado noturno. O ultravioleta revela a estrutura das nuvens e as condições dinâmicas na atmosfera, enquanto que o infravermelho fornece a informação sobre a temperatura e altura das nuvens superiores. Créditos: VMC ultravioleta: ESA/MPS/DLR/IDA  VIRTIS infravermelho: ESA/VIRTIS/INAF-IASF/Obs. de Paris-LESIA

Usando a Venus Express é possível comparar como Vênus se mostra em diferentes comprimentos de onda, dando aos cientistas uma ferramenta poderosa para estudar sua turbulenta atmosfera. Na parte inferior, à esquerda, vemos um mapa diferencial de temperaturas (não são valores absolutos) das nuvens venusianas no topo da atmosfera, derivadas do espectrômetro VIRTIS (Visible and Infrared Thermal Imaging Spectrometer), no lado noturno do planeta. Quanto mais escura a região, mais frias são as nuvens superiores. Na parte superior, à direita, vemos uma imagem em ultravioleta do lado diurno de Vênus, capturada pela câmera VMC (Venus Monitoring Camera), simultaneamente com a visão infravermelha do lado noturno. O ultravioleta revela a estrutura das nuvens e as condições dinâmicas na atmosfera, enquanto que o infravermelho fornece a informação sobre a temperatura e altura das nuvens superiores. Créditos: VMC ultravioleta: ESA/MPS/DLR/IDA VIRTIS infravermelho: ESA/VIRTIS/INAF-IASF/Obs. de Paris-LESIA

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Visto na faixa do espectro ultravioleta, Vênus apresenta numerosos contrastes. A causa disso é a distribuição heterogênea dos componentes químicos presentes na atmosfera e que absorvem a luz ultravioleta, criando zonas claras e escuras.

A visão ultravioleta revela a estrutura das nuvens e as condições dinâmicas na atmosfera, enquanto a visão infravermelha fornece informação acerca da temperatura e da altitude do topo das nuvens.

Altimetria do das nuvens venusianas no top da atmosfera

Altimetria do topo das nuvens venusianas:imagem em ultravioleta pela Venus Monitoring Camera com um mosaico que mostra a temperatura das nuvens superiores. As cores do mosaico foram derivadas a partir das medições do instrumento VIRTIS (Visible and Infrared Thermal Imaging Spectrometer). Créditos: VMC ultravioleta: ESA/MPS/DLR/IDA VIRTIS: ESA/VIRTIS/INAF-IASF/Obs. de Paris-LESIA

Com os dados da Venus Express, os cientistas descobriram que as regiões equatoriais de Vênus, que aparecem obscurecidas na luz ultravioleta, são áreas de temperatura relativamente elevada, onde convecção intensa transporta materiais escuros vindos de baixo. Por oposição, as regiões claras nas latitudes médias são áreas onde a temperatura na atmosfera diminui com a profundidade.

A temperatura atinge um mínimo no topo das nuvens suprimindo a mistura vertical. Este anel de ar frio, apelidado de ‘colar frio’ surge como uma banda brilhante nas imagens ultravioletas.

Foram usadas observações no infravermelho para mapear a altitude do topo das nuvens. Surpreendentemente, quer nos trópicos escuros, quer nas claras latitudes médias, as nuvens estão a uma altitude de cerca de 72 Km.

Nos 60º sul, os topos das nuvens começam a afundar, atingindo um mínimo de 64 Km e vemos-se um gigantesco furacão no pólo sul venusiano.

Mosaico: As áreas mais claras na imagem em infravermelho representam as temperaturas nas nuvens superiores (regiões escuras denotam temperaturas mais baixas). A figura oval que ressalta nestas imagens é o gigantesco olho de um furacão ou um vórtex polar no pólo sul de Vênus. Trata-se de uma estrutura com 2.000 km de diâmetro, em rotação em volta do pólo sul a cada 2,5 dias. A atmosfera gira no sentido anti-horário nesta figura. Créditos: VMC ultravioleta: ESA/MPS/DLR/IDA  VIRTIS infravermelho: ESA/VIRTIS/INAF-IASF/Obs. de Paris-LESIA

Mosaico: As áreas mais claras na imagem em infravermelho representam as temperaturas nas nuvens superiores (regiões escuras denotam temperaturas mais baixas). A figura oval que ressalta nestas imagens é o gigantesco olho de um furacão ou um vórtex polar no pólo sul de Vênus. Trata-se de uma estrutura com 2.000 km de diâmetro, em rotação em volta do pólo sul a cada 2,5 dias. A atmosfera gira no sentido anti-horário nesta figura. Créditos: VMC ultravioleta: ESA/MPS/DLR/IDA VIRTIS infravermelho: ESA/VIRTIS/INAF-IASF/Obs. de Paris-LESIA

Neste mosaico, a imagem infravermelha está sobreposta à ultravioleta, evidenciando o gigantesco furacão no pólo sul do planeta. O seu centro está deslocado relativamente ao pólo e a estrutura completa tem cerca de dois mil quilômetros de comprimento, rodando em torno do pólo em dois dias e meio.

Este estudo, conduzido por D. Titov e colegas, mostrou que a temperatura variável e as condições dinâmicas no topo das nuvens de Vênus são a causa do padrão ultravioleta global.

Nuvens no topo da atmosfera venusiana: As linhas indicam regiões de temperatura constante. Elas foram derivadas a partir dos dados obtidos pela sonda soviética Venera-15, no hemisfério norte de Vênus. As regiões azuis mais claras mostram áreas que aparecem mais brilhantes no ultravioleta enquanto que as regiões azuis escuras mostram áreas obscurecidas. Créditos: Titov et al., 2008

Nuvens no topo da atmosfera venusiana: as linhas indicam regiões de temperatura constante. Elas foram derivadas a partir dos dados obtidos pela sonda soviética Venera-15, no hemisfério norte de Vênus. As regiões azuis mais claras mostram áreas que aparecem mais brilhantes no ultravioleta enquanto que as regiões azuis escuras mostram áreas obscurecidas. Crédito: Titov et al., 2008

No entanto, a substância química que cria as zonas de forte contraste continua a ser um mistério e por isso a busca continua.

Estes resultados aparecem em ‘Atmospheric structure and dynamics as the cause of ultraviolet markings in the clouds of Venus’ por D. Titov et al., publicado a 4 Dezembro 2008, na revista Nature.

Fontes e Referências:

ESA:

Portal do Astrônomo: Descoberto um vórtice duplo no pólo sul de Vênus!

ScienceDaily: Venus Comes To Life At Wavelengths Invisible To Human Eyes

Mysteries of Venus revealed at wavelengths invisible to human eyes

Venus comes to life at wavelengths invisible to human eyes

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  1. #1 by Daniel Borges on 18/02/2011 - 17:16

    Roca, o que aconteceu que os posts novos não aparecem mais no site?

    Abraço

    • #2 by ROCA on 20/02/2011 - 17:36

      Estaremos voltando dentro de alguns dias.
      ROCA

(não será publicado)


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