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nov 08

Sinais de vulcanismo foram descobertos na face oculta da Lua a partir de fotos da sonda japonesa Kaguya

Sinais de vulcanismo foram descobertos na face oculta da Lua

Vemos na foto crateras que pontuam a superfície de um mar lunar ou mar de basalto, no lado oculto da Lua. Através da contagem de crateras os cientistas determinaram que vulcões estiveram ativos no lado oculto da Lua bem mais tarde do que antes se julgava. Quanto menos crateras contamos, mais jovem a superfície que as abriga. Crédito: Science/AAAS

A atividade vulcânica na face oculta da Lua (o lado que não vemos aqui da Terra) pode ter existido por mais tempo que se pensava. A sonda japonesa Kaguya enviou recentemente imagens com novas evidências. A descoberta, detalhada na revista Science em novembro de 2008, vai trazer uma nova luz sobre a formação lunar e sua evolução.

A Lua formou-se há cerca de 4,5 bilhões de anos atrás quando um planeta errante, chamado Théia, do tamanho do planeta Marte chocou-se com a Terra arrancando consigo uma parte do manto e da crosta terrestre. Essa teoria sobre a formação lunar tem o nome de “Big-Splash“.

Após o catastrófico choque de planetas, uma quantidade considerável de detritos foi ejetada e formou um anel que passou a orbitar a Terra. Esse anel deu origem a Lua. A superfície lunar está inativa agora mas no passado, após sua formação, durante milhões de anos, a Lua apresentou atividade vulcânica. Os cientistas têm estudado essas características vulcânicas lunares que se apresentam em geral como os ‘mares lunares’ (ou ‘maria‘). A datação das rochas pelo decaimento radioativo é o melhor modo de analisar a idade dos minerais mas as amostras existentes da superfície lunar são limitadas aos 382 kg de rochas trazidas pelos astronautas americanos nas 6 missões do programa Apollo nas décadas de 60 e 70, além das amostras coletadas nas missões não-tripuladas da antiga União Soviética no programa Luna, no mesmo período.

Uma outra maneira de estimar a idade das regiões vulcânicas (que funciona muito bem em planetas e luas sem atmosfera, como Mercúrio e Enceladus), é a contagem comparativa do número de crateras de impacto no local. Quanto mais recente a atividade vulcânica na região, menor será o numero de crateras marcando a superfície.

Um grupo de pesquisadores analisou recentemente duas áreas na face oculta da Lua: a “South Pole-Aitken (SPA) basin” e o “Mare Moscoviense“, usando as imagens fornecidas pela câmera da sonda orbital japonesa SELENE (KAGUYA). A sonda Kaguya foi lançada em 14 de setembro de 2007 e iniciou a operação de observar a superfície lunar em 21 de dezembro de 2007.

Atividades vulcânicas datadas de 2,5 bilhões de anos atrás?

Segundo os estudos anteriores, as atividades vulcânicas nos mares localizados na face oculta da Lua cessaram cerca de 3 bilhões de anos atrás. Por outro lado, em alguns poucos locais Junichi Haruyama da agência de exploração aerospacial do Japão (JAXA) e seus colegas estimaram que os mares tinham a idade de 2,5 bilhões de anos, indicando que um vulcanismo incipiente continuou acontecendo após o término da era vulcânica lunar.

É importante lembrar que no lado visível da Lua, voltado para a Terra, o vulcanismo durou bem mais tempo que na face oculta. Por exemplo, no mar Oceanus Procellarum, o estima-se que o basalto formou-se há ‘apenas’ 1 bilhão de anos. A diferença teórica entre os comportamentos distintos entre a face visível e a face oculta da Lua, com relação ao vulcanismo, está relacionada a maior espessura da crosta lunar na face oculta somado a menor presença de elementos radioativos na face oculta, com relação a face visível.

Esse enigma lunar em breve terá mais informações esclarecedoras. Os cientistas estão apostando nas informações que serão fornecidas pelos modernos equipamentos japoneses, chineses e indianos (Chandrayaan-1) que estão atualmente orbitando a Lua. Além desses os Estados Unidos planejam lançar o Lunar Reconnaissance Orbiter em abril de 2009.

Pieters, da Brown University, afirmou que “Depois de um longo período de ausência de dados temos agora uma festa de novas informações de alta qualidade que abrirá uma nova era de renascimento da exploração científica e entendimento do vizinho mais próximo da Terra.”

Referências:

National Geographic: Volcanoes Rocked Dark Side of the Moon

Space.com: Signs of Late Volcanism Seen on Moon

._._.

3 menções

  1. A Lua pode ainda ter resquícios de atividade vulcânica? » O Universo - Eternos Aprendizes

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